A Forquilha Boschi

Mar/17.

Máximo Boschi Chardonnay em três safras envelhecidas, 2009, 2008, 2007. “Vinho novo, amigo novo; é quando envelhece que o beberás com gosto” (Eclisiástico 9,15) mensagem contida na etiqueta do gargalo do 2007. Renato Savaris e Daniel Dalla Valle são sólidos no propósito de vinificar, maturar e aguardar a chegada do apogeu em seu precursor – vinhos de guarda. São enólogos que atuam em outros projetos de vinícolas grandes e na Boschi criam seu próprio campo de experimentação, um projeto autoral. Tintos e Brancos seguem o ritual da casa, vinhos que desafiam o tempo. São vinhedos próprios localizados na Linha Alcântara, no Vale dos Vinhedos/RS. O nome Máximo Boschi foi inspirado nos nomes do avô e do tataravô de Renato.

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A produção é pequena, menos de 20 mil garrafas/ano, voltado ao público já iniciado ao mundo dos vinhos. A casa define-se com a missão de: Oferecer vinhos, espumantes e produtos gourmet para clientes com paladar exigente, atendendo suas expectativas, obtendo resultados de forma eficiente e com comprometimento social. A visão: Ser reconhecida como vinícola de alta qualidade com atuação forte nos principais mercados do Brasil e ter considerável prospecção internacional. (2015-2020). Os valores: Transparência, Qualidade, Ética, Serenidade e Comprometimento. Na Vertical destacou-se soberanamente a safra 2008 que a um ano atrás destacou-se aqui no blog, reveja. A safra 2009, mais jovem, precisa despertar. A 2007 desvenda o papel de precursora do que viria ser o 2008, de bom corpo mas carece de exuberância natural.

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MAXIMO BOSCHI CHARDONNAY 2009. Vale dos Vinhedos/RS. Produzidas 1.580 garrafas. Estágio de 9 meses em carvalho francês, um ano em aço inox para estabilização e 6 meses na garrafa para maturação. Apresenta cor amarelo palha ainda  jovem apesar de 8 anos de vida. Textura de média fluidez, com ótima transparência, pernas finas e espaçadas em contraponto com os demais irmãos de vertical. No nariz é cítrico com leve adocicado, chantilly, ligeiro floral. Na boca a acidez é vibrante, abacaxi, iogurte com mel, a madeira emprega a baunilha de qualidade no fundo de boca. O trabalho em cave é nítido, equilibrado, corajoso, álcool ajustando-se ao conjunto,  apto a mais 4 a 5 anos pela frente com acentuada melhora. A fruta por si só é suficiente mas não exuberante, falta-lhe o “UAU” que obtém-se no 2008 principalmente na elegância e palheta olfativa. Custa na faixa de R$ 75.


 AVALIAÇÃO:

3 saca rolha

PREMISSAS:

P2|R4|E3

VALORIZAÇÃO:

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MAXIMO BOSCHI CHARDONNAY 2008. Vale dos Vinhedos/RS. Produzidas 1.350 garrafas. Estágio de 8 meses em carvalho francês, um ano em aço inox para estabilização e 14 meses na garrafa para maturação. As uvas são adquiridas em parceria com a vinícola Terragnolo. Apresenta cor amarelo dourado, já opaco. Textura elegante, lágrimas delicadas, delgadas, formação de arcos. Impressiona pelos aromas que se desprendem e tomam o ambiente na função de um difusor para o lar com  profusão de lírios, orquídeas, frutas confeitadas, impressiona e intimida seus irmãos. No palato, já inebriado pelos aromas, um delicioso iogurte com mel, pedaços de manga, um bouquet fino de margaridas, é a certeza da natureza se exibindo. Bebe-se e olha-se ao redor buscando a mesma perplexidade. Um silêncio adicional pois foi a última garrafa em minha posse. Próximo de 10 anos de vida este Chardonnay mantém moderada acidez, corpo potente, elegante, vivo, altivo, perfumaria encantadora. Longos são os minutos em boca, untuoso. Este exemplar custava menos que R$50 e R$60 quando próxima a esgotar-se, verdadeira apoteose aos amantes da Boschi.


AVALIAÇÃO:

5 saca rolha

PREMISSAS:

P2|R6|E4

VALORIZAÇÃO:

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MAXIMO BOSCHI CHARDONNAY 2007. Vale dos Vinhedos/RS. Produzidas 1.355 garrafas. Estágio de 4 meses em carvalho francês, um ano em aço inox para estabilização e 6 meses na garrafa para maturação. É a segunda safra produzida, o primeiro Chardonnay foi o de 2004. O rótulo trazia a designação Speciale. Os 13.5º de álcool acompanham as 3 safras da vertical. Na cor o amarelo dourado é mais carregado puxando para o ouro. Textura menos untuosa que o 2008 apesar do semblante de envelhecido. As lágrimas são espaçadas, lineares e aderem menos que o esperado. Com 10 anos de vida o vinho denota cansaço no paladar, acidez diminuta, resta-lhe corpo delgado e gostoso chocolate branco. No nariz pouco se observa a não ser a baunilha e um lácteo de manteiga por meses aberta. O 2008 e 2009 são vigorosos e ainda longínquos, este 2007 terminou sua missão. Percebe-se o centro de estrutura que identifica os 3 exemplares, a nítida identidade que provavelmente é o DNA da casa, um forte trabalho de enologia empregando forma a fruta, expressando um vestuário, um adorno. Excelente a vertical, amplia o entendimento do conceito. Belo trabalho fazem  Renato Savaris e Daniel Dalla Valle, como se encontra com brancos envelhecidos de Rioja. Os primeiros exemplares da Boschi custavam abaixo de R$50.


AVALIAÇÃO:

3 saca rolha

PREMISSAS:

P1|R4|E3

VALORIZAÇÃO:

vasilhames2

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