AAlto lá Parker!

Dez/16.

Um verdadeiro representante do Bad Whiteness Wine de Robert Parker. Assim são os vinhos intensos e tingidos da Bodegas y Viñedos AALTO do Mariano García que já foi enólogo do mítico Vega Sicília por três décadas. Situado em Ribera del Duero desde 1.999 a AALTO privilegia longo estágio em carvalho, são vinhos de Pagos, com forte apelo comercial no público americano e mundial que replica a influência do vigor e musculatura. Javier Zaccagnini é o sócio-fundador e diretor geral de AALTO, que foi diretor do Conselho Regulador da Denominação de Origem Ribera del Duero durante 6 anos (desde 1992 até 1998). São cultivados 110 hectares de vinhas velhas com clones antigos de Tinto Fino, de baixíssimo rendimento e excepcional qualidade. Trata-se de quase 200 parcelas de pequeno tamanho localizadas em 7 municípios diferentes da Denominação de Origem: Roa, La Horra, La Aguilera, Fresnillo, Fuentelcésped, Moradillo e Baños de Valdearados, todos na província de Burgos e em altitudes de 915 metros, de Moradillo, e de 804, em La Horra. Além dessas vinhas velhas, AALTO possui em dois povos da província de Valladolid (Quintanilla de Arriba e Piñel de Abajo) suas próprias vinhas plantadas, com uma seleção de clones antigos de excepcional qualidade. Cada vinha, seja própria ou alugada, é cultivada respeitando estritas diretrizes ao longo do ano todo, com um cultivo sem herbicidas nem fertilizantes, com podas curtas e todas as operações de cultivo focadas na qualidade. A vindima é sempre feita manualmente em pequenas caixas e a produção de cada vinha é gerenciada de forma independente na vinícola, com separação por povos e regiões, para vinificar em depósitos diferentes e ainda com tratamento individual durante o período de reserva. Até a colheita de 2004 os vinhos eram elaborados em instalações alugadas em Roa (Burgos). A partir de 2005 em uma belíssima parcela de 15 hectares, localizada no termo municipal de Quintanilla de Arriba (Valladolid), inaugura-se a moderna vinícola seguindo exclusivamente critérios de otimização de processos de elaboração com câmara frigorífica para esfriar as uvas, alimentação de depósitos por gravidade, elaboração em depósitos de concreto, madeira e aço – estes últimos tronco-cônicos de design próprio – ampla sala de fermentação malolática em barricas e duas caves subterrâneas para reserva de vinhos a oito metros de profundidade.

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AALTO 2004. Ribera del Duero, Espanha. Representante da primeira geração da vinícola quando ainda vinificava em instalações de terceiros em Roa (Burgos). Feito 100% com Tinto Fino (Tempranillo) majoritariamente de vinhas muito velhas – com idades entre 40 e 80 anos. Estagia por longos 23 meses em barricas 50% novas de carvalho francês e 50% de um ano de carvalho francês e americano. É um super premium, porém, vejam só, é o vinho de “entrada” da vinícola! Na taça a cor é vermelho muito escuro, centro retinto e bordas em pedra granada. Lembra um vinho do Porto LBV. Textura oleosa, adere fortemente ao cristal, lágrimas numerosas e lentas. Untuoso como manda a cartilha de vinhos licorosos. Aromas predominantes de madeira impregnada em óleos impermeabilizantes, balas toffee, defumado, fumaça, alcaçuz. O álcool aparece no inicio ainda volátil, mas com a oxigenação vai sumindo gradualmente no olfato. No palato é majoritariamente uma fusão de especiarias doces refinadas, denso como um destilado de bagaços, alcoólico (14º) que chega chegando e não solta a mordida, mesmo com o tempo relaxando no decanter. Bebe-lo sozinho é possível apenas em uma ou duas taças. Harmonizamos com um suculento corte de T-Bone que suportou e acalmou este Tinto Fino, longe disso é bem difícil conjugá-lo à mesa. Final de boca quente, condimentado no caramelizado de shoyu, pimenta do reino e chocolate com frutas roxas. Os taninos estão domados e finos, ainda atuantes, vigoroso e sutilmente equilibrado, não é um vinho meramente brutal que soa desengonçado, sem sombra de dúvidas é musculoso. Acidez correta. Um vinho caro, destinado a um mercado que valoriza boas notas de Robert Parker, que flutua no mínimo de 94, 93 pontos… ou seja… inflaciona e bem os dois vinhos ícones desta bodega, o AALTO e o AALTO PS (Pagos Selecionados). Custa na faixa de R$500 em safras mais antigas, com forte variação cambial nas safras recentes. É um vinho feito para impressionar o bolso e o sensorial “Titan”. Avalio ser um tinto muito específico, quase restrito, visivelmente produzido para um nicho que aprecia a potência de um motor beberão. O estilo é este, assim será, que particularmente não me empolgou tanto quanto na longa expectativa de tê-lo adegado por 7 anos. Este 2006 está acessível agora, mas tem potencial para mais 10 anos no apogeu. Produção de 15mil a 30mil garrafas por safra, os vinhos são exportados para 50 países.


AVALIAÇÃO:

2 saca rolha

PREMISSAS:

P5|R4|E5

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