Alma Gemini

Jul/16.

Márcio e Magda Brandelli são filhos de Laurindo Brandelli o saudoso e célebre Don Laurindo – falecido em 2014 aos 83 anos. Os irmãos gêmeos, M&M, apostaram no projeto autoral, em 2008  fundaram ao lado da esposa Denise, a Almaúnica no Vale dos Vinhedos. O projeto salta os olhos de quem passa na região. Estilo arquitetônico moderno, clean, funcional. O centro do projeto foi a convicção em privilegiar a gravidade em todas as etapas possíveis da vinificação, premissa para preservar ao máximo a qualidade dos insumos. A tradição da família Brandelli em fazer vinhos está no sangue, no orgulho e na experiência, entretanto a visão produtiva e comercial é vanguardista. Perceptível em cada detalhe da Almaúnica o bem vindo frescor nas decisões e ambições, apesar de jovem no mercado, chegou com portfólio bem planejado, alguns vinhos com preços competitivos e perceptível capricho na produção. O site da vinícola é bem completo e oportuniza compreender todas as etapas do projeto.

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ALMAÚNICA RESERVA SYRAH 2011. Vale dos Vinhedos/RS. Adquiri este vinho em 2014 para consumo imediato, lembro que a recomendação era muito positiva mas acabei o deixando na adega sem motivo proposital, foi ficando… até agora. A primeira safra produzida foi a de 2010, na segunda safra a tiragem foi de 13.500. A maturação ocorre por 12 meses em barris de carvalho divididos meio a meio entre francês e americano. Na taça apresenta coloração vermelho rubi de média transparência, lágrimas de intensidade mediana. No olfato o álcool de 13,5º desprende uma pitada acima do ideal esquentando demasiadamente o primeiro ataque, logo em seguida surge baunilha, cassis e frutas roxas maceradas. No fundo percebe-se a lavanda que aporta um charme diferenciado que realça o sensorial – estivesse mais fragrante atingiria patamar superior, mas é um bom caminho a perseguir. No paladar o tostado sai na frente, os taninos estão equilibrados, com o passar do tempo aparecem duas camadas, a primeira de especiarias doces e a segunda gramíneas – algo como fibra de bambu, que particularmente me incomodou um pouco. Impreciso dizer que trata-se de paladar verde, pois não é, é mato seco ou lenhoso, daí a lembrança da fibra do bambu que se vende em floricultura, o que foge em parte da tipicidade da casta. Perceptível a intenção de atingir majoritariamente a elegância, mas para isso precisa refinar mais o conjunto que termina com uma persistência média para menor, acidez tímida e corpo magro. Com 5 anos está mais do que na hora de abri-lo, não aportará virtude com o tempo. O vinho tem qualidades, mostra competência aromática superior a gustativa. Necessário acompanhar a evolução de novas safras. Vale experimentar. Entendo de que dentro do universo Almaúnica realmente é o melhor exemplar tinto, mas diante a concorrência precisa avançar. Não é tão versátil a mesa quanto possa se imaginar, adocicado para alguns pratos e pouco acidez para outros. Custa na faixa de R$65.


AVALIAÇÃO:

2 saca rolha

PREMISSAS:

P2|R2|E2

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