American Style

Mar/16.

Fundado em 1865 a Viña San Pedro tem longa tradição no Chile com bandeira fincada no estilo de vinificação voltado para o gosto do mercado americano. Não esconde, não enrola, não faz tipo, desta forma se preocupa em fazer bem feito apesar da crítica do excessivo uso do carvalho novo americano, obviamente. Seus vinhos são majoritariamente concentrados e caramelizados com forte amplitude solar, o Vale do Cachapoal onde produz milhões de garrafas por safra. O top da casa é o Altair entretanto o Cabo de Hornos é disparado o top mais triunfante na relação custo x benefício. Tomei este vinho na safra de 1999 com uma suculenta picanha, lembro até hoje a opulência desta harmonização. É um cabernet sauvignon novo mundo de enorme qualidade no que se propõe, acrescenta uma elegância incomum ao estilo.

1865 LIMITED EDITION BLEND 2009. Pequena parcela de vinhedo alto em Los Quillayes. Este vinho recebeu destaque mundo afora bem classificado nas publicações que não antipatizam com o estilo. Corte 65% Cabernet Sauvignon e 35% Syrah com estagio de 14 meses em carvalho novo e 14,5º de álcool. A ideia era partir para carnes mais pesadas, como a Syrah participa do assemblage resolvi arriscar na delicadeza da Paleta de Cordeiro que eu já tinha disponível. O vinho engoliu o1865d Cordeiro! Acompanho a paleta com redução de maça caramelizada lentamente, foi o único traço de parceria. Fui inocente mas valeu a tentativa pelo aprendizado. É um vinho para o mesmo escopo de gastronomia que sugiro neste post, clique aqui. A respeito da paleta, estava deliciosa mas já tive melhores enganches com bons exemplares de Tempranillo, cortes do sul francês, Pinot mais tânico ou Merlot nacional de qualidade superior. Na taça o Blend San Pedro é um cara grande, voz grossa e músculos. Cor vermelho coagulado, denso, retinto. Tem 5 a 10 anos 1865bpela frente.  Olfato clássico de cassis e alcaçuz, álcool integrado mas dando um tchauzinho. Paladar potente – fava de baunilha, pimenta do reino, noz moscada, canela  em pó. Retrogosto com redução de açúcar cristal, açúcar  mascavo, goiabada cascão. Papel protagonista do carvalho aqui. Persistência acima da média. Não o defino enjoativo mas este é o estilo que outros paladares descartam com veemência, é untuoso, viscoso, óleo velho. Aos amantes da cerveja estilo Poter lembra traços densos da Harviestoun Old Engine Oil®. Este estilo tem sido perseguido nos últimos anos por defensores do vinho sem músculos, sem “anabolizantes”. Em alguns casos com dose de radicalismo. Particularmente aqui no Tchêrroir o ruim não está na contundente intensidade ou extração e elegância ou simplicidade, no polo norte ou no sul. Ruim é o que não tem público, seja ele qual for. No Brasil este vinho tem uma variação de preço enorme. Em média custa na faixa de R$180 mas há quem tenha a cara de pau de comercializá-lo 30% acima desta média. Comercialmente é um rótulo antipático.


AVALIAÇÃO:

4 saca rolha

PREMISSAS:

P3|R5|E5

 

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