Bouchet, non Bouschet

Jul/16.

A família Arizu, descendência Basca, e os Bosca, descendência Piemontesa, unem-se em Mendoza na Argentina em 1901 e fundam a Bodega Luigi Bosca. Tornou-se ao longo do tempo referencia no mercado portenho em implantar castas menos óbvias aos cortes, fugindo do trivial Malbec e Cabernet Sauvignon. Com uma produção de grande porte, atua em vários mercados mundiais principalmente os que valorizam o uso pesado de estágio em madeira. São 7 “Fincas” localizadas em áreas privilegiadas em Luján de Cuyo, Maipú y Valle de Uco.

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O rótulo ultra premium da casa é o Icono, corte de Malbec e C.Sauvignon de vinhas velhas e menos de 6.000 garrafas por safra, bastante caro. Neste segmento outros três vinhos completam a denominada linha “Finest”. Todos da Finca Los Nobles: Chardonnay, Malbec/Petit Verdot e Cabernet Sauvignon/Bouchet – uma das formas como é chamada a ancestral Cabernet Franc na França. Nesta “Finca” as vinhas são velhas (mais de 90 anos), o manejo é o menos intervencionista possível minimizando defensivos agrícolas e ampliando ano a ano o conceito biodinâmico, solo franco-arenoso de média profundidade, tido como o melhor micro clima da Bodega para a produção de vinhos com a intenção de homenagear o estilo bordalês.

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LUIGI BOSCA FINCA LOS NOBLES CABERNET/BOUCHET 2008. Luján de Cuyo, Mendoza, Argentina. Pequeno vinhedo, chamado de “Field Blend”, caracteriza-se por possuir o cruzamento natural de vinhas velhas de Cabernet Sauvignon e Bouchet (Cabernet Franc), a colheita é muito selecionada. Produção pequena, apenas 1.300 caixas, aproximadamente 7.000 vasilhames. O produtor incentiva a guarda de até 20 anos. Este “Finca” estagia por 24 meses em carvalho Tronçais, sem filtração, e depois mais 18 meses em cave subterrânea. A safra só foi comercializada em 2012. Na taça apresenta cor rubi granada de bom brilho. Apesar do álcool de 14,3º a textura é de um vinho menos untuoso do que preconiza o estilo, não chega a ser fluído, mas longe de ser um vinho denso, com lágrimas de média intensidade. Olfato pronunciado da madeira embebida em conhaque, alcoólico, mistura fruta macerada e ervas desidratadas, potente como um xarope. No paladar inegável presença do carvalho, lembra características do vinho do porto com estagio em velhos cascos de madeira, doce e apimentado (reino). Corpo que prima pela força atlética, não é um vinho de força bruta, percebe-se a intenção de buscar uma forma escultural. A acidez é equilibrada mas não o suficiente para deixá-lo envolvente, após 2 taças o desejo em bebe-lo diminui. O retrogosto pronunciado é o principal destaque. Particularmente avalio ser precipitado qualquer relação com um Bordeaux de estirpe. Los Nobles é um vinho caro, custa aproximadamente R$400, valor que torna obrigatório a entrega de um produto diferenciado e peca neste sentido. Perfil majoritariamente novo mundo apesar do marketing de resgate do velho mundo, contraditório na prática. Impreciso determinar se o tempo em garrafa ainda vai melhorar a integração alcoólica e destacar os terciários, se sim, crescerá, caso contrário, é um vinho burocrático que não vale tudo isso.

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AVALIAÇÃO:

2 saca rolha

PREMISSAS:

P5|R4|E2

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