Charmat Longo

Set/16.

Conhecido como o “meio termo” entre o método Charmat e o método Champenoise, o Charmat Longo tem sido explorado pelos produtores de espumantes nacionais. O principal objetivo é manter o frescor, principal característica do Charmat cotidiano (de 3 a 6 meses em autólise) e agregar um “pitada” de complexidade e estrutura, característica principal do Champenoise (de 12 a 36 meses em garrafa, até mais tempo 48 a 120 meses – porém menos comum). Obviamente que a complexidade obtida é mais tênue, digamos que lembre uma tinta aquarela, mais sutil, em contra ponto a uma tinta a óleo. Esta “cor” mesmo que “aguada” acrescenta uma personalidade adicional ao Charmat, que além de refrescante e informal, o torna apto a ousá-lo um pouco além na harmonização com refeições que o estilo Champenoise mais básico é perfeito. Agregado a este aspecto sensorial, o posicionamento comercial é influenciador. No Charmat Longo o custo é mais baixo que o do Champenoise, isso devido a mão de obra da manufatura ser menor quando o enólogo foca exclusivamente na observação das leveduras e reações químicas agindo no Autoclave de forma concentrada, diferentemente do que centenas e centenas de garrafas posicionadas em pupitres com reações muitas vezes individualizadas em cada lote. Nos grandes tanques de inox pressurizados onde o Charmat é produzido a temperatura e o nível de produção de gás carbônico é controlado em grande escala de mil litros. O Charmat Longo pelo que tenho observado veio para ficar, o acerto do enólogo é determinante. Imperativo entregar um produto majoritariamente de frescor pronunciado e ligeira complexidade com um perlage mais fino, este é o que podemos dizer um acerto para o clima tropical e estilo de gastronomia mais leve em estações onde matar a sede e petiscar sugira espumantes de médio corpo. Ponto de atenção é o posicionamento de preço. Compreende-se o preço mais alto que exemplares de Charmat cotidiano, porém, o quanto deva ser mais em conta que um Champenoise de entrada? Este é o fator para impulsionar ou frear o estilo, nas gôndolas Brasil afora.

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DON GUERINO CUVÉE EXTRA BRUT 2014. Elaborado através do método “charmat longo”, com autólise de 12 meses em tanques de aço inox. Feito com 100% Chardonnay dos vinhedos de Alto Feliz/RS. Enólogo Bruno Motter. Garrafa numerada, nº 204, não descobri a tiragem deste lote. Elogio para o elegante e minimalista rótulo. Na taça apresenta cor amarelo palha ainda jovem, espocar vibrante, perlage que confirma tecnicamente o estilo: mais fino e duradouro. Excelente coroa que denota uma “pitada” de elegância. No palato o ataque é de gostosa refrescância, sabor de frutas tropicais, destaque para pêssego e ameixa amarela um pouco verde. Perceptível o maior “peso” do charmat longo na boca, longe de uma panificação clássica mas com uma colher de café de margarina num final de boca entre o vegetal e o frutado. A persistência é curta e protocolar, adequada ao estilo fácil de beber.  A meu gosto poderia ser menos doce e mais seco, subiria um degrau em personalidade. Muito bom drinkability, bebe-se com certa ligeireza, propício para amantes da culinária japonesa. Custa na faixa de R$65, estivesse no limítrofe de R$50 seria sem sombra de dúvidas um best value. Tecnicamente um acerto da Don Guerino que vem despontando como uma casa com espírito livre e com grata confiança, o que é muito bem vindo ao consumidor.


AVALIAÇÃO:

3 saca rolha

PREMISSAS:

P2|R3|E3

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