Del Gobernador

Maio/17.

O finca pé da tradicional vinícola catalã Miguel Torres no Chile, o Manso de Velasco Vinhas Velhas, a estirpe chilena do Curicó, pequena cidade fundada em 1743 pelo então “Del Gobernador” do Reino do Chile, José Antonio Manso de Velasco. Cidade localizada a 180km ao Sul de Santiago, na língua mapuche significa “Água Negra”. O vinhedo de Cabernet Sauvignon que dá origem ao Manso é todo em pé franco com idade de 130 anos, produção rigorosa com exclusiva manufatura, algo cada vez mais raro em vinícolas de grande porte como é o caso da Miguel Torres chilena que exporta para 130 países. Este Cabernet Sauvignon é classificado pela imprensa especializada como um exemplar discreto, alia autenticidade e modernidade porém menos badalado e por consequência menos caro em relação a Don Melchor, Errazuriz Don Maximiano, Casa Real Santa Rita, Viñedo Chadwick … C.Sauvignons de enorme reputação. Com mais de 30 safras lançadas o Manso de Velasco é figura carimbada em revistas e rankings classificado como excelente custo x benefício entre os rótulos premium e super premium do Chile.

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MIGUEL TORRES MANSO DE VELASCO 2007. Curicó/Chile. Estagiou em barricas de carvalho francês Nevers durante 18 meses, de 1º e 2º uso. Não filtrado e trabalhado com estabilização natural. As vinhas velhas que dão origem ao vinho caracterizam-se por sofrer enorme stress hídrico, acentuado em anos desérticos como o de 2007. A rolha proporcionou enorme trabalho esfarelando-se na metade inferior, foi necessário atuar com uma peneira no primeiro servir. Na taça apresenta cor vermelho sangue, idêntico ao da picanha suculenta refrigerada em plástico à vácuo – retinto com púrpura. Textura densa, tinge a taça, untuoso e longas pernas aderentes ao cristal. Aroma impactante de cassis, alcaçuz e barbecue. Os 14,5º de álcool carregam demasiadamente o olfato com mentolado e resina. Necessário dar um tempo até dissipar e oxigenar o vinho. Percebe-se antes de bebê-lo de que os 10 anos de vida ainda o mantém jovem e inquieto. No paladar uma mordida tenra de frutas vermelhas cozidas, o carvalho presente, o barbecue potencializado, excitante e impactante. Com o passar do tempo o Manso de Velasco vai caramelizando, gruda na taça, sobra extrato. Sensação de peso dos taninos granulados, acidez que contrapõe mas não o suficiente. Austero e melado (compota). Vai longe, com mais 5 anos facilmente no apogeu. Elegante nos aromas que eleva o patamar, porém não acompanha no palato, cai de patamar – toque enjoativo após a segunda taça. A parceria com cortes de carnes suculentos é uma obviedade necessária para acompanhar este Cabernet Sauvignon concentrado, quente e inquieto, preza pela fama de elegância que particularmente não identifiquei. Custa na faixa de R$250.


AVALIAÇÃO:
2 saca rolha
PREMISSAS:
P4|R4|E2

 

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