E lá se vão 10 anos…

Jul/17.

Trouxemos na mala em 2007, nossa viagem a Paris. Um entretenimento enófilo dos melhores foi a tarde na Lavinia Caviste no Boulevard de la Madeleine. Havia um corredor dedicado a pequenos Vignerons Bourgogne. Simpatizei com o Geantet Pansiot “Les Jeunes Rois” de Gevrey Chambertin, região de renome dentro da Côte Nuits, endossada por 9 grand crus dos quais o mítico Le Chambertin. Os vinhos desta parcela geográfica na Borgonha tendem a ser musculosos e longevos, com surpreendente fineza. O Domaine Geantet Pansiot é fruto do trabalho do casal de vinhateiros Edmond Geantet e Bernadette Pansiot iniciado em 1954 com 3 hectares de vinhedos. Em 1997 o filho, Vincent, juntou-se aos pais e atualmente comanda o Domaine ampliado para 20 hectares. A vinificação segue a filosofia da menor intervenção possível no vinhedo, ainda se utiliza arados e não se aplica herbicidas e inseticidas sintéticos. Utiliza-se maceração fria longa, com o mínimo esmagamento em tanques de concreto por até 10 dias. Estágio parcial de 30% a 40% do vinho em carvalho novo, de 12 a 14 meses.

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GEANTET-PANSIOT “LES JEUNES ROIS” 2005. Gevrey-Chambertin/Côte Nuits/França. Vinhedo de 50 anos. Adquirido por ∈40,6. A cotação da moeda no Brasil era de R$2,85, custou R$ 115. Este vinho não é comercializado no Brasil, vinhos similares estão no patamar de R$300. Este 100% Pinot Noir de categoria Village sofre leve filtração. Apresenta na cor vermelho cereja claro, média transparência, não denota desbotamento de cor apesar dos 12 anos. Textura de brilho tênue, boa fluidez, formação de arcos curtos com lágrimas finas e comedido na viscosidade. Ao final apresenta pequeno depósito no funda da taça. Olfato de perfil clássico, mistura de mineral com frutas vermelhas com fundo selvagem de bosque, percebe-se (ainda) a presença do carvalho – volátil (13º de álcool). No palato a sensação é de acidez imediata da cereja e ameixa vermelha frescas, preenche a boca como uma mordida tenra. Perfil de força magra, não há delicadeza ou sutileza nítida. Especiarias de cascas e sementes dão um toque de incenso ao retrogosto. Taninos equilibrados, corpo mediano, persistência moderada – porém marcante, proporcionando as virtudes categóricas da Pinot Noir em perfil de entrada sem adornos. A safra 2005 é considerada de virtudes sem ser excepcional. Suportaria mais 5 anos facilmente no apogeu, já está em momento propicio para o consumo.


AVALIAÇÃO:

4 saca rolha

PREMISSAS:

P5|R4|E2

(*) premissa de preço projetada considerando o posicionamento similar de vinhos da categoria no mercado brasileiro.
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