Espírito Desafiante

Dez/17.

Fomos recebidos pelo Pai do Bruno, o Toni Faccin. Aquelas visitas que em poucos minutos você se sente em sua própria casa. Estão correndo com a burocracia. A Faccin Vinhos desde 1936, já na 4ª geração de vinhateiros, esbanja expertise na lavoura da vinha – entre idas e vindas, mas carece de aprimoramento empresarial como pequeno produtor. A repercussão com o fechamento e confisco de toda a produção artesanal de Eduardo Zenker abalou os “naturebas” e alardeou a necessidade impositiva em não desafiar a legislação vigente para a produção de vinhos e o poder de veto dos grandes da indústria que são agentes influenciadores na caça aos “ilegais”. Pequenos produtores que são formigas em tamanho, mas elefantes em penetração de nicho, principalmente no time de consumidores de “garimpo”. Majoritariamente bem informados e bem resolvidos, este consumidor paga (até) mais caro por vinhos de expressão única e caráter, sejam eles do segmento convencional ou de um segmento artesanal. Cria-se uma concorrência para produções pequenas onde acima do monetário está o reconhecimento e ego, conforme observa-se o prisma. Os vinhos da Faccin (a pronuncia correta tem som de “x”, faxim) refletem a busca por práticas naturais, com a menor intervenção possível, sem agrotóxicos, evoluindo para o crescimento vertical da prática orgânica e biodinâmica. O jovem Bruno Faccin está a frente da revolução da vinícola de Monte Belo do Sul em direção ao futuro sustentável da lavoura e não menos importante aos dias atuais, o marketing final, onde as redes sociais são abre-alas e ressonância da manufatura que empregam nos vinhedos e na cantina. Pai e filho empregam suor e lágrimas no trabalho de ampliação e padronização sanitária da cantina, no terreno da família: cerâmica, elétrica, ventilação, armazenamento, transição física de insumos, o que podem fazer a quatro mãos evitam pagar a terceiros, economiza aqui e ali, sobra um pouco de dinheiro e muito da alma que percebemos na energia do local. Tecnicamente um grande aliado na finalização dos vinhos da Faccin é José Augusto Vicari Fasolo, jovem enólogo e filho da Lizete do Dominio Vicari. Sua “assinatura” intelectual e química dá suporte a decisões dentro e fora da garrafa, um aliado. Os vinhos produzidos na Faccin são de vinhedos próprios e também de parcerias com produtores da região. Monte Belo do Sul/RS tem, senão a maior, uma das maiores produções per capita de uvas viníferas do Brasil. Local abençoado para vinhateiros a procura de castas que refletem verdadeiramente o solo, as origens imigratórias e não apenas o modismo ou preguiça intelectual das prateleiras de supermercado captados pelas pesquisas do consumo establishment.

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FACCIN VINHOS MOSCATO ANTIGO + MALVASIA BIANCA 2016. Monte Belo do Sul/RS, ao final do Vale dos Vinhedos. Produção de 367 garrafas. Teor alcoólico – 11º. Malvasia oriunda de vinhedos próprios e Moscato antigo adquirido em parceria local. Vinho de conceito “orange” macerado com as cascas. O corte é feito com os vinhos já prontos, ambos sem filtragem, nem estabilizado. A Moscato antigo, foi no passado bastante plantada e atualmente tratada como quase extinta no Vale dos Vinhedos. Na taça é pura alegria, amigável, bebe-se como ali estivesse um copo de suco fresco com a fruta densa – opaco no visual. Acidez baixa, deitou e rolou no risoto de galinhada! Lembra vitamina de graviola, limão siciliano e nêspera. Leve e maravilhoso toque salino. Custa na faixa de R$80.


AVALIAÇÃO:

3 saca rolha

PREMISSAS:

P2|R4|E3

VALORIZAÇÃO:

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FACCIN BORGONHA 2016. Produção de 200 garrafas. Graduação alcoólica de 9,4º. Macerado com as cascas. Uva oriunda de vinhedo próprio. Uva Herbemont, conhecida na Serra Gaúcha por Borgonha devido sua terra natal, trata-se de uma vitis burquina. Praticamente extinta na região do Vale dos Vinhedos, por décadas foi utulizada na base de espumantes devido sua semelhança com o a delicadeza da Pinot Noir. Na taça apresenta linda cor vermelho groselha, sedutor. Acompanhou pastel de carne e queijo colonial onde 2+2=5. Refrescante, bebe-se um pouco mais gelado quase na temperatura de um branco, tem acidez controlada, sabor delicado de gelatina turca de frutas vermelha com leve fundo herbaceo que emprega uma rusticidade de autenticidade. Muito gostoso, levíssimo! Custa na faixa de R$70.


AVALIAÇÃO:

3 saca rolha

PREMISSAS:

P2|R4|E3

VALORIZAÇÃO

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FACCIN 5 CASTAS BRUT 2016. Corte incomum de Pinot Noir/Chardonnay/Riesling Itálico/Peverela e Moscato Antigo, vinificado no método ancestral – maceração com as cacas por 5 dias, após descubado e transferido para a pipa para atingir a graduação de açúcar desejada. Graduação alcoólica de 9º. Produzidos apenas 85 garrafas, praticamente esgotadas. O melhor vinho Faccin dos experimentados neste final de semana. Linda cor, refrescante, um delicioso suco de acerola com caju, perlage fino, boa estrutura, final persistente. Aquele estilo de vinho Havaianas®, você coloca qualquer roupa ou nenhuma e está de boa: confortável, elegante e autêntico. O maior apogeu do portfólio Faccin até aqui, delicioso! Custa na faixa de R$100.


AVALIAÇÃO:

5 saca rolha

PREMISSAS:

P2|R5|E4

VALORIZAÇÃO:

vasilhames2

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