Full Bodied

Mar/18.

São vinhos intensamente carregados em cor, sabor, açúcar, álcool, textura. Poderosamente denso, encorpado, concentrado, retinto. Um dos mais famosos vinhos “full bodied“, definição americana, mundialmente conhecido e traduzido no Brasil para “corpo cheio”, é o Amarone. A técnica de apassimento que torna este vinho da região de Verona, no Vêneto, tão autêntico e único. Por essa técnica, depois de colhidas, as uvas são deixadas para secar ao longo do inverno, por períodos que variam de 90 a 120 dias, acomodadas em “bandejas” superpostas conhecidas por arelas (feitas tradicionalmente de bambu, devido a absorção natural da umidade). Cada arela mede 1,20 x 4 metros e suporta aproximadamente 100 quilos de uva, que terão perdido de 30 a 40% de seu peso ao final do processo. A técnica é ancestral, utilizada pelos romanos no intuito de aumentar a graduação alcoólica e a longevidade, além de “farto” em alimentar, por ser “gordo”.  O nome Amarone  deriva de amaro, ou, amargo. A família Tedeshi tem séculos de tradição no vinho italiano e seu estilo é tradicional, com modernismos pontuais, um estilo  de preservação da história. O comando da casa está com os filhos, Antonietta, Sabrina e Riccardo, os pais são referencias permanentes, Lorenzo e Bruna Tedeschi. Curiosidade da casa, o destaque dentro os nativos de Verona, é a GRAPPA DI AMARONE – CAPITEL MONTE OLMI, conhecida por sua delicadeza e potencia.

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TEDESCHI AMARONE CLASSICO DELLA VALPOLICELLA 2004. Pedemonte/Verona/Itália. Vinhas de 20 a 30 anos das comunas Mezzane e Tregnago. Corte das uvas: 30% Corvina, 30% Corvinone, 30% Rondinella, 10% Rossignola, Oseleta, Negrara, Dindarella. Adormecem por longos 3 anos em carvalho esloveno. Incrível 15º de álcool, que após 14 anos de vida já está completamente integrado eliminando qualquer vestígio volátil que possa atrapalhar este “puro sangue”. Apresenta cor vermelho rubi escuro, bastante vivo, menos retinto do que pressupunha – denotando os vestígios do tempo. Textura que lembra viscosidade sanguínea – selvagem, animal, gorduroso. Não faz cerimônia em demonstrar sua genética indomável. Aromas de curtume, redução impregnada na panela de ferro – frutas roxas, especiarias doces, carvão, fumo, groselha. Na boca um suculento pedaço de morcilha preta com chutney de frutas vermelhas, pimenta biquinho e erva doce, não há definição melhor! Doce na saída, especiaria doce, retrogosto doce, e ao mesmo tempo tenro, volumoso, impositivo – nada enjoativo. Esteja preparado para responder com sua melhor contrapartida. E tem nome: Ossobuco com polenta!

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Horas de fogo lento, paciência, entusiasmo, condimentos em profusão, concentração de sabores e aromas, uma parede de tijolo à vista – lindo, autentico, viril, natural, uma luva de box para enfrentar o tal, Amarone. Lá fora beirava os 36º em prévia de Outono. Parecia ser péssimo a estratégia em “desadegar” um Amarone de 14 anos de construção, ainda adolescente. Suporta facilmente, 20, 25 anos no apogeu. O estilo Riserva vai além, 30, 40, 50 an0s! Comida de alimentar o trabalho pesado, o guerreiro sem nova data para alimentar-se. O Amarone escolta este ritual com maestria, experiência, voluptuosidade. Transcende o vinho como alimento e divertimento, obrigatório conhecer italiano passificado, a cultura, o “peso da camisa”. Apreciá-lo não deveria ser para iniciantes, enganosamente doce, tinge a alma. Vinho de ritual obrigatório. Custa na faixa de R$350. Entrega o que custa, vale a lenda que o precede.


PREMISSAS:

P4|R4|E3

AVALIAÇÃO:

3 saca rolha

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