Jacques Brière

Mar/17.

A vitivinícola Jolimont fundada em 1948 é um dos principais pontos turísticos de Canela/RS e top 10 maiores e mais influentes negócios na região das Hortênsias. Desde 1987 é conduzida por Ernani de Nápoli Velho e o enólogo Algielto Bertuzzo, sócio proprietário. O militar francês Jacques Brière chegou ao Brasil no pós guerra para nova vida e objetivo de produzir vinhos. Identificou no Morro Calçado em Canela/RS, solo de baixa matéria orgânica, rochoso, excelente exposição solar e com  830 metros de altitude, o lugar ideal para mostrar o savoir faire da vitivinícola francesa. Rogério Dardeau em seu livro Vinho Fino Brasileiro, cita: “…certamente, não houvesse falecido prematuramente, o francês teria conduzido sua vinícola ao seleto grupo de elaboradores  de vinhos brasileiros de terroir, que ele perseguia desde 1970, havendo elaborado varietais (especialmente Cabernet Sauvignon e Merlot) que somente muitos anos depois viriam a ser elaborados no Brasil.”. Jacques faleceu em 1981 e os herdeiros decidiram colocar o negócio a venda. A partir de 1987 a Jolimont foi remodelada para um empreendimento de enoturismo com venda direta ao consumidor e entretenimento cultural do vinho, com produção média de 350 mil garrafas/ano. No site da Jolimont, o belo vídeo contextualiza o legado do francês e a paixão de Ernani em preservá-lo, aqui.

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CAVE JOLIMONT RESERVA ESPECIAL CABERNET -MERLOT 2008. Corte impreciso de Cabernet Sauvignon e Merlot, que estagia por 6 meses em barricas de carvalho francês e americano de primeiro e segundo usos. Engarrafado em 2011. Lindo acabamento medieval de rotulagem, garrafa de nº 9.319 de 12.250 vasilhames produzidos. Na cor apresenta vermelho atijolado, pouco encorpado, com média transparência, textura elegante, lágrimas com aderência uniforme e arcos sinuosos que chamam a atenção visual. Olfato de figo e caju cristalizados, fundo de especiarias doces. Na boca é macio, taninos aveludados, acidez discreta, reforça a textura cristalizada de frutas de casca delicada. Percebe-se a atuação precisa da Merlot, suavizando o conjunto, bem empregada no corte. Os 13º de álcool em temperatura adequada está devidamente ajustado, um pouco aquecido desprende e atrapalha um pouquinho, atenção a este detalhe. Final de boca com leve baunilha e cravo, surpreende pela persistência e acabamento sutil. Está em excelente momento para degustá-lo. Final de garrafa com cristais. Bebe-se com facilidade, excelente companhia para risotos com caldos a base de carne. Foi magnífico com pescoço de cordeiro em cozimento lento e mix biodinâmico de arroz cateto. Custa na faixa limítrofe de R$50, um best value. Exemplar obrigatório para entender o Morro Calçado e o que vislumbrou J.Brière.


AVALIAÇÃO:

5 saca rolha

PREMISSAS:

P1|R4|E4

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