Luiz, Inversão de Ciclo

Jul/17.

Café, laticínios ou vinho mineiro? Improvável combinação até recente descoberta de um novo terroir propício para a Vitis vinífera espraiar-se Brasil a fora, o Sul de Minas que caracteriza-se por grandes altitudes e um clima ameno com amplitude térmica, fortemente influenciado pela serra da Mantiqueira. Por si só seriam atributos insuficientes para o cultivo e produção da Vitis vinífera. A descoberta da técnica de inversão de ciclo que consiste no manejo de podas diferenciado, para que a planta possa frutificar no inverno – ao contrário do que ocorre no Sul do Brasil, tornou possível fazer vinho fino em terras de cafezal e gado leiteiro. Basicamente, são feitas duas podas: uma em Agosto e outra em Janeiro. A primeira poda, em Agosto, é feita para a formação de ramos produtivos. Em Janeiro, faz-se a poda efetiva de frutificação. A planta, então, começa a brotar em fevereiro, floresce em março e em abril os cachos começam a se formar. Assim descreve o site do produtor. A Luiz Porto Vinhos Finos está localizada no Sudeste mineiro, no paralelo 25-Sul, a 800 metros de altitude numa região de transição entre mata atlântica e cerrado. Tanto vinhedo e vinícola encontram-se na Fazenda do Porto, localizada no município de Cordislândia, sul de Minas Gerais, e fundada em 1980. Especializada na produção de diversas culturas, principalmente café, leite e cavalos, a família Porto decidiu transformar sua paixão por vinhos em negócio e, no ano de 2005, passou a investir no cultivo de uvas de excelente qualidade. Através da importação de mudas francesas e construção de moderna vinícola, a Luiz Porto Vinhos Finos hoje tem capacidade de produzir 55 toneladas de uvas a cada inverno e 50 mil litros de vinho fino por ano. São produzidos vinhos tinto, branco e espumante. O slogan da região é Terroir de Inverno

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LUIZ PORTO CHARDONNAY 2013. Cordislândia/MG. O nome é uma homenagem ao patriarca da família e seu gosto por cavalos e vinhos. O vinhedo está localizado em latossolo vermelho com textura argilosa, fase cerrado, relevo plano e suave ondulado. Clima temperado quente. Sistema de Condução em Espaldeira. Estagio de 12 meses em barricas francesas amadurecendo em contato com as borras finas de leveduras “Sur lies”. Foram produzidas apenas 2.000 garrafas. Na taça apresenta amarelo citrino translúcido com pouca pigmentação que lembra um Sauvignon Blanc jovem. Apesar do tempo prolongado em madeira visualmente o aspecto é de um Chardonnay desnudo. Liso, quase transparente, leve turbidez,  sutil aquarela, boa formação de arcos, fluído. No olfato apresenta-se sem timidez, é cítrico (emulsão de limão siciliano e azeite), com abacaxi e amendoado (enfim a madeira dá sinais) em camadas, final mineral. No paladar excelente frescor, acidez que pede novo gole, equilibrado, versátil. Os 13,5º de graduação alcoólica percebe-se menor durante o desfrutar.  Com gastronomia de peixes, quiches, saladas e queijos não curados, apesar de novato fará escolta com devida responsabilidade. Chamou atenção positiva quando apresentado como novo terroir brasileiro, o que demonstra o caminho certo e uma nova opção. O vinhedo ganhando “corpo” sem sombra de dúvidas um branco para receber notícias de seu desenvolvimento. O preço na faixa de R$90 o torna antipático para quem engatinha.


AVALIAÇÃO:

2 saca rolha

PREMISSAS:

P2|R3|E2

VALORIZAÇÃO:

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