M.T.A

Mar/17.

Falta luz mas não falta oportunidade. No lampião de combustão, à moda antiga, e uma taça de vinho de uma das famílias mais tradicionais da Serra Gaúcha, ocasião propícia em abrir o corte especial da Don Laurindo na expectativa da energia voltar. Vinhedo localizado na Latitude: 29° 10’ Sul, Longitude 51° 35’ Oeste, a 650 metros de altitude no Vale dos Vinhedos. São 5 hectares de vinhedos próprios, produção em torno de 130 mil garrafas/ano. Em 2008, Ademir Brandelli, filho do Laurindo e enólogo da casa, teve a iniciativa de produzir o rótulo Estilo um corte M.T.A (Malbec, Tannat, Ancellotta) que são as castas que a vinícola acolheu como carro-chefe, em virtude de sua consistente adaptação ao solo argiloso, arenoso e basáltico da propriedade. Produzido em safras especiais, a segunda edição ocorreu em 2012, outra significativa safra no Rio Grande do Sul. Os vinhos da Don Laurindo são autênticos em sua essência, preservam uma característica de rusticidade, quase selvagem, que é o DNA da casa. A modernidade das técnicas e equipamentos aportou melhorias na vinificação mas não escondeu o “sabor” típico da primeira fase da vinícola, quando começou a deixar de vender uvas para vinificar seus próprios vinhos. Característica que diferencia a Don Laurindo de outras médias e grandes que são contemporâneas na imigração italiana no Vale dos Vinhedos.

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DON LAURINDO ESTILO 2012. Vale dos Vinhedos/RS. Produzidos 6.000 vasilhames. Corte de 33% Malbec, 34% Tannat e 33% Ancellotta. Estágio de 12 meses em carvalho francês. Apresenta cor vermelho acastanhado, centro de taça escuro, bastante tintura. Textura encorpada para menos, lágrimas em formação linear, várias pernas que descem suavemente com média aderência a taça. Olfato inconfundível de rusticidade, armário antigo, madeira tratada, vegetal selvagem, fundo animal. Os 13º de álcool desprendem inconvenientemente nos primeiros minutos, acalma-se no decorrer. Na boca acidez contundente, chega-se a franzir os olhos, muita salivação, mastiga-se a fruta (uva) como se ela estivesse intacta, destaca-se a pegada animal, de charcuteria. Taninos atuantes, sem arestas. Deveria vir com a mensagem: destina-se ao consumo de salame italiano e nada mais. A Ancellotta emprega personalidade neste conjunto, seguido da Tannat. Peca, se assim possa-se dizer, pela menor elegância que o nome Estilo poderia sugerir. Custa na faixa de R$70. Nesta faixa de preço há exemplares mais modernos e versáteis, caracteriza-se por atender um nicho que queira experimentar ou preservar o estilo de rusticidade, única ressalva que dividirá opiniões.


AVALIAÇÃO:

3 saca rolha

PREMISSAS:

P2|R4|E3

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