Nova Ordem

Mar/17.

Pinot Noir remete instantaneamente a Borgonha e a Champagne, um pouco na Alsace e no Loire. A difícil Pinot fora da França já foi tida como um insulto (para muitos continua sendo) até que Sonoma, Napa e Oregon nos Estados Unidos desafiaram os céticos com exemplares de alta reputação em micro climas aderentes ao necessário desenvolvimento de clones que geram excepcionais frutos. Começava a nascer uma “nova ordem” em relação ao potencial da Pinot Noir globalizada. No Novo Mundo do vinho, especialmente na América do Sul, a cobiça por exemplares “inéditos” até então, trouxe muita precipitação com lançamento de Pinots “verdes”, excessivamente amargos, marcados no álcool ou ainda rústicos. Não à toa, a PN é considerada uma casta de alta complexidade de gestão: geniosa, perfeccionista, dona de si, imprevisível quando a natureza não lhe permite opinar. O Brasil é um caso recente de “nova ordem”. Os espumantes premium são o que melhor produzimos em diversidade e qualidade, a Merlot dita a uva do Brasil é um produto de marketing de posicionamento e a Cabernet Franc já foi a autentica casta que melhor se adaptou ao clima do sul do país quando começaram as primeiras experiências com vitis vinifera, posteriormente sem força comercial, caiu em desgraça. Nas mãos de vinhateiros, principalmente Marco Danielle, surge o Fulvia de minúscula tiragem e manufatura. Um antes e depois no potencial da Pinot Noir em solo brasileiro. Na Argentina o rótulo Chacra gerou similar repercussão. De 2000 para cá são diversos os projetos, principalmente os autorais, que tem chamado atenção para interpretações da Pinot Noir cada vez mais alinhadas em estirpe aos exemplares franceses de categoria. Os mitos franceses de Pinot Noir tem seu reinado intacto, mas reconhece-se que o mundo já não teme mais a fama de casta “blindada”. No Uruguai a Bodega Narbona, localizada em Carmelo, na região de Colonia, fundada em 1909 produz em 15 hectares as castas: Tannat, Pinot Noir, Petit Verdot, Viognier e Syrah. Enóloga, Valeria Chiola, conta com a consultoria do francês Michel Rolland.

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NARBONA PINOT NOIR 2013. Puerto Carmelo, Uruguai. A produção é pequena 8 a 10 mil garrafas. Estagio de 8 meses em carvalho francês. Na cor apresenta o vermelho cereja, média transparência, centro rubi. Textura elegante, média fluidez, arcos bem formados, perlage lento com pernas espaçadas. No nariz surge o cassis limpo, especiarias doces e fundo de baunilha. Na boca começa ligeiramente quente mas logo ameniza. Explosão de mirtilos, framboesas e cerejas em um mix de frescor. É macio, taninos leves, os 12º de álcool gera conforto, final de boca de chocolate dark com nuts tostadas. Prazeroso, de perfil moderno. Custa na faixa de R$130, um tanto salgado para a vizinhança.


AVALIAÇÃO:

2 saca rolha

PREMISSAS:

P3|R3|E2

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