Orgulhoso Dilor

Jul/16.

Um vinho para chamar de seu. São vários os exemplos de empresários e personalidades de outros segmentos que após longos anos de responsabilidades e riscos em empreender negócios, enveredam para o caminho da auto realização após atingirem a maturidade profissional. Unem investimento pesado e experiência de gestão a serviço da satisfação em transformar um hobby ou uma paixão em projeto pessoal. Manuel Dilor Freitas é um destes empresários apaixonados por vinhos. Prosperou com a fábrica de cerâmicas Cremisa e a fábrica de insumos agrícolas Florestal, ambas em Criciúma/SC, uma das maiores do Brasil. Em 2000 adquiriu hectares na altitude de São Joaquim e iniciou o cultivo de vitis vinifera. O destino infelizmente o impediu de assistir em vida a inauguração de sua Vila Francioni em 2005. Aos 72 anos Dilor sofreu um infarto em 2004. Os quatro filhos seguiram adiante, respeitando o ideal do Pai em cada pedacinho do sonho imaginado. A filha, Daniela Freitas, é a protagonista na condução da vinícola. O enólogo chefe é Orgalindo Bettú, experiente vinicultor e irmão do excêntrico Vilmar Bettú, post aqui. Projeto guardado para surpreender e emocionar, o próximo lançamento será um rótulo que levará o nome de Dilor, uma homenagem ao patriarca da família Freitas.

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Pouco mais de uma década produzindo vinhos e a Vila Francioni é referencia na qualidade e turismo premium em Santa Catarina e no Brasil, com destacada repercussão principalmente com seus exemplares de castas brancas. A missão da casa é “Enriquecer a celebração da vida ao sabor de um elegante vinho elaborado com amor e arte”. Puro e autêntico orgulho é o sentimento que inegavelmente, Dilor, com certeza alcançou. Parabéns aos filhos!

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a) VILLA FRANCIONI CHARDONNAY LOTE II. Bom Retiro/SC, acima de 1.200 metros de altitude. Corte de uvas das safras 2008 e 2009 estagia por 10 meses em carvalho francês novo. O Lote I contém uvas das safras 2004 e 2005. Garrafa espessa, pesada e escura (preocupação com a luminosidade) – excelente qualidade. Chamou a atenção que a rolha do Lote II (bem longa) é uns 20% ou 30% maior que a do Lote III (mais curta). Na taça apresenta amarelo palha transitório para o dourado, esperava pela idade mais intensidade de cor. Lágrimas preguiçosas, razoável viscosidade o que denota um carvalho menos intenso. Olfato firme e direto, com os 13º de álcool no segundo plano, a meu ver um pouquinho demasiado. Aromas diversos: camomila, manga verde, flores brancas, abacaxi e contundente baunilha, o melhor do Lote II. No palato a acidez é mediana, manga madura, damasco, o carvalho está integrado com gostosos final amanteigado. Um vinho técnico ao estilo Chardonnay barricado de média tosta, está tudo ali. Termina com a persistência da fava de baunilha. Minha esposa adora este estilo, ponderou que a fruta ficou por demais oculta, ponto a melhorar. Custou em 2012 na faixa de R$65, atualmente atinge facilmente os R$100, posicionado em uma faixa de concorrência internacional de players de boa manufatura na Chardonnay barricada, o que complica bastante a estratégia da cadeia de preços da VF.


AVALIAÇÃO:

3 saca rolha

PREMISSAS:

P2|R3|E3


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b) VILLA FRANCIONI CHARDONNAY LOTE III. São Joaquim/SC, acima de 1.200 metros de altitude. Corte de uvas das safras 2013 e 2014 estagia por 12 meses em carvalho francês novo. Na taça apresenta amarelo palha clássico, bastante compatível com a idade das safras. Na foto, lado a lado, perceptível a juventude em relação ao Lote II. Aromas menos voláteis do que o antecessor, mais jovem evidencia fruta delicada, floral, amêndoas e o mesmo amanteigado (manteiga mesmo, mineirinha das boas!). Acidez perfeita para pratos com frutos do mar e molhos amanteigados. No paladar o vinho cresce em equilíbrio. Fruta proeminente, carvalho coadjuvante, manteiga salgadinha (uau!!!) pão cacetinho (francês) e sal gourmet… tá loko!! Caso tenha adegado um Lote III beba agora, sem hesitação, está perfeito, saindo da adolescência para a fase adulta, seu melhor momento. Enorme aprendizado este páreo de corte envelhecido x recente. Impressiona os mesmos 13º de álcool e neste lote muito melhor integrado e harmonioso. Me lembra muito doce de laranja azeda com anis e chantilly. Belo Chardonnay nacional! Custa na faixa limítrofe de R$100 (no centro do país, até mais), uma pena, estivesse no patamar de até R$70 faria enorme sucesso, quase obrigatório na mesa de quem curte a boa mesa do verão brasileiro.


AVALIAÇÃO:

4 saca rolha

PREMISSAS:

P2|R4|E5

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