Ouro do Tirol

Out/16.

Ouro no Tirol, já no Brasil é um “metal” pouco valorizado. Sempre observo a escolha dos vinhos em lojas e a Teroldego faz parte do grupo de varietais que só chega perto quem já está em um nível avançado de envolvimento com a bebida. Difícil a persuasão desta casta para iniciantes ou curiosos, o nome complica e a faixa de preço não é amigável devido a produção ser pequena, majoritariamente são vinhos de pequenas parcelas de terreno, tiragem limitada, poucas vinícolas se arriscam. Dois exemplares “fora do eixo”, um oriundo de da novata vinícola Ravanello de Gramado e o outro do “Mago” Zenker oriundo de Garibaldi e seus vinhedos naturais. Para conhecer um pouco além o trabalho do Eduardo Zenker, clique aqui.

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a) RAVANELLO TEROLDEGO 2012. Uvas provenientes da região Serra do Sudeste em Encruzilhada do Sul/RS, vinificado em Gramado. Colheita manual, maceração de 11 dias em carvalho francês de 400 litros e em tanque de Inox. Estagia por mais 11 meses em barricas francesas de 300 litros. Na taça apresenta cor potente, rubi violáceo de médio brilho. Textura intermediária, não é fluído mas não chega a ser minimamente untuoso,  formação de pernas numerosas e de boa aderência ao cristal. Timidez inicial nos aromas, após alguns minutos evoca a madeira, pimenta do reino e açafrão, vai desabrochando com o tempo mas tem personalidade discreta no nariz. No paladar inicia quente, seco, marcado pelo carvalho com notas de café, mirtilo e especiarias em grãos. Corpo médio, acidez no limite do suficiente, taninos ajustados. Perfil de um Teroldego mais sério e sisudo. Deve crescer com mais 2 ou 3 anos em garrafa. Os 13,3º de álcool marcam presença demasiada no nariz e boca, ponto a desenvolver. Bebemos mais lentamente, 1/3 da garrafa ficou para o outro dia, peca no drinkability. O carvalho sobressai a fruta, esconde demasiadamente, falta-lhe melhor equilíbrio. Custa na faixa de R$65.


AVALIAÇÃO:

2 saca rolha

PREMISSAS:

P2|R3|E2


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b) ZENKER BRUTA BESTIA 2013. Teroldego da Linha Baú no Vale dos Vinhedos/RS. Vinho natural sem passagem por madeira. São produzidas menos de 1.000 vasilhames por safra. Apresenta rubi violáceo de forte coloração, as lágrimas são facilmente tingidas pela cor, destaque para o excelente brilho. Textura fluída, baixa aderência ao cristal da taça, formação de pernas ligeiras. No olfato protagonismo da amora (bem azedinha), manjericão e cravo, com uma segunda camada de esmalte de unha (bem interessante). No palato o azedinho é bem gostoso, taninos macios, corpo magro, contundente personalidade “natureba”, percebe-se um certo gosto de “talo” de aspargos que traz o herbáceo mas é majoritariamente um Teroldego de fruta vermelha e roxa silvestres. A especiaria de chá de hibisco imprime o final de boca. Bebe-se fácil, mas refrescado é um “perigo” a garrafa terminou rapidamente em contraponto ao Ravanello (mais pesado). Destaque para a acidez contagiante. Zenker entrega um vinho muito pronto, é o perfil deste Teroldego, bebê-lo jovem, mas tem virtudes pontuais que o possibilitam mais alguns anos em garrafa. Custa na faixa de R$70, o único senão. Zenker poderia explorar melhor o marketing, da mesma forma do que ocorreu com a Bodega Cacique Maravilha, seus vinhos resgatam um conceito de vinho simples, corajoso e autentico, que merece atenção e maior interesse de consumo.


AVALIAÇÃO:

3 saca rolha

PREMISSAS

P2|R4|E5

VALORIZAÇÃO:

1

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