Princesa do Sul

Jul/17.

Conversamos brevemente pelo WhatsApp®, trocamos informações e chegou aqui em casa em menos de uma semana a caixa com 3 Pinot em vasilhame Borgonha e 3 Lorena em vasilhame Bordeaux. Rótulo minimalista difere apenas o nome da casta na impressão, não identifica a safra e a graduação alcoólica no rótulo ou contra-rótulo que informa o vinho ser produzido com uvas selecionadas da região sul do Rio grande do Sul, Serra do Sudeste. Na época de maturação da uva o clima da região tem baixas precipitações, o que aliado a noites frescas e dias ensolarados e quentes permite a produção de um vinho encorpado, aromático, bem equilibrado e com bom teor alcoólico. Um brinde a todos os seus apreciadores. O engenheiro agrônomo Marimônio Alberto Weingärtner produz seu vinho artesanalmente desde 1997 em Pelotas/RS. É um projeto pessoal de aposentadoria (nada mal!). Nestes 20 anos vem ampliando seu conhecimento e equipamentos de vinificação. O objetivo é chegar em 5.000 garrafas ano. Produz com regularidade o tinto de Pinot Noir e o branco de Lorena, vitis vinifera fruto do cruzamento da Malvasia Bianca com Seyal em 1986 através de estudos desenvolvidos pela Embrapa. Destaca-se pelo vigor produtivo e resistência a pragas, utilizada em primeira escala para vinhos de mesa e espumantes na década de 90. A vinificação do Eng. Marimônio segue o conceito de o mais natural possível, com mínima intervenção, sem madeira e baixa dosagem de metabissulfito de potássio, principalmente na fermentação tumultuosa. Há experimentos com outras castas: Merlot, Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Teroldego, Sauvignon Blanc, Tannat, Malvasia de Cândia, Touriga Nacional, sempre em minúscula produção. A preferência pessoal do produtor é pelo branco Lorena, que o engenheiro tem feito experiências de vinho base para um espumante em assemblage com a Pinot Noir. Deve vir coisa boa por aí.

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WEINGÄRTNER PINOT NOIR 2012. Pelotas/RS, vinhedo localizado na Serra do Sudeste/RS com altitude média de 450m de altitude. Na taça apresenta vermelho granada acastanhado com bordas transparentes e centro de maior pigmentação. Textura delgada, opaco, ligeiramente turvo, formação de longos arcos e diversas são as lágrimas de média viscosidade. Visualmente não tem a estética lisa e brilhante que encontramos em vinhos de apelo industrial, perfil de rusticidade. Aromas de canela, casca de maça, chá de frutas vermelhas, açafrão, final de terroso árido. Os 12,2° de álcool desprendem-se e é perceptível no olfato, ameniza no paladar que intensifica a canela in natura, água de pinhão, cereja confeitada, noz moscada, curtume, o gosto original da uva está ali no fundo de boca. Paladar equilibrado, seco, acidez presente, gastronômico na medida para culinária colonial. Vinhos feitos com Pinot Noir geram inevitável expectativa, a cobrança de certo modo é sempre maior, WEINGÄRTNER entrega um PN que cativa pela sincera simplicidade da manufatura de esmero, autenticidade, tipicidade que denota potencial para ganhar finesse na maturidade do seu projeto vinícola. Obrigatório conhecer este trabalho apaixonado. Abaixo de R$50 é um adicional estímulo para elogiá-lo e estimular o estoque.


AVALIAÇÃO:

3 saca rolha

PREMISSAS:

P1|R4|E5

VALORIZAÇÃO:

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WEINGÄRTNER LORENA 2012. Pelotas/RS, vinhedo localizado na Serra do Sudeste/RS com altitude média de 450m de altitude. Na taça apresenta cor amarelo palha curtida de média intensidade. Textura magra, límpido, não chega a ser opaco, mas seu brilho é tênue. Baixíssima aderência ao cristal, escorrega facilmente e simultaneamente em linha sem deixar vestígios de viscosidade na taça, incomum. Aromático, nota-se muita laranja madura, salinidade, lírio e algo como suor animal (difícil identificação sensorial). No paladar a acidez é vibrante, casca de laranja com açúcar, aquela mistura de azedo com doce (delicioso), iogurte com pêssego, um toque salino intrigante que lembra a maresia que se prende aos lábios no inverno do litoral gaúcho. Surpreende pelo elevado drinkabillity: corpo enxuto, 11,5° de graduação alcoólica, frescor, acidez intensa, versatilidade da laranja. Harmonizamos com feijoada foi absolutamente impressionante o limpar de boca e o corte ao “peso” do prato, onde 2 + 2 = 5. Final de boca mineral e floral, persistência surpreendente que lembra a sensação da pastilha cítrica para amenizar a irritação na garganta. Sem sombra de dúvidas em patamar superior ao PN, um vinho pronto e bem resolvido. Abaixo de R$50 é um adicional estímulo para elogiá-lo e estimular o estoque. Exemplar que deveria ser vendido em Bag in Box para beber com o dedo na torneirinha, certeiro para apreciar confortavelmente relaxado. Um segredo (ainda) discreto da vitivinicultura gaúcha. Parabéns ao Engenheiro por instigar o cenário do vinho gaúcho com a Princesa do Sul, o branco Lorena, permita-me assim representá-la.


AVALIAÇÃO:

5 saca rolha

PREMISSAS:

P1|R5|E4

VALORIZAÇÃO:

vasilhames2


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