Recusa-se

Maio/17

Vinhas Velhas de 40 anos que resistem ao capitalismo. Atualmente na gestão do MWG (Miolo Wine Group – desde 2009), antes Pernod Ricard (2001), LVMH, Seagram, até a precursora o grupo americano National Destillers que em 1974 estabeleceu-se em Bagé/RS por meios da vinhedos Santa Tecla. Em 1976 mudou-se para Santana do Livramento, vizinho do Cerro Palomas. São 1.200 hectares  com 600 hectares de vinhedos produtivos. O livro Vinhos do Brasil: do passado ao futuro (FGV,ed.2016), aborda o tema aquisição da Almadén pela MWN, assim responde Adriano Miolo: “O nosso maior volume de vendas era a linha Seleção. Atualmente é a linha Almadén, que tem valor agregado menor. A compra da Almadén foi feita por mais de uma razão. Primeiro, estava à venda, o que se traduzia em uma boa oportunidade. Segundo, havia uma demanda grande de mercado por vinhos inferiores a R$20. Os concorrentes neste segmento eram a Almadén, a Aurora (Saint Germain e Marcus James) e Salton (Classic). A Miolo não atuava neste segmento… Quanto à marca Almadén… foi a única que sobreviveu da década de 70, todas que competiram com ela desapareceram. Não dava para simplesmente reduzir o preço do Seleção e do Reserva para competir nesta faixa de preço. Havia ainda outra coisa. Os vinhos da Almadén eram suaves, não tinham vinhos secos. Quem optava por este estilo não bebia os da Miolo… Acreditávamos que poderíamos melhorar (prensa pneumática, controle de temperatura, colheita mecanizada) os vinhos da Almadén sem mudar seu patamar de preço. Com a extensão dos vinhedos leva-se um mês e meio. A oscilação da colheita era muito grande (pouco verde, madura, sobre madura)… Uma máquina colhe o mesmo que 20 a 30 homens, possível colher toda a uva no no ponto. Foi custoso e trabalhoso, mas valeu a pena. A Almadén é o que mais vende, sem contar os vinhos de mesa populares… nos aproximamos desse mercado de maior volume… Foi até engraçado, atendemos várias reclamações no SAC da Miolo, pois os clientes preferiam o vinho mais suave, tivemos que lançar vinhos com maior residual de açúcar… Nossa expectativa é que o consumidor novo do Almadén, que gosta de um vinho melhor,  mais elaborado, se sinta mais confiante, porque sabe que o vinho está bom agora e na sequencia evolua para consumir o Miolo Seleção.” O rótulo Vinhas Velhas Tannat recusa-se a mudar, manteve-se fiel ao estilo e preserva o que importa.

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ALMADÉN TANNAT VINHAS VELHAS 2012. Cerro Palomas (visível no rótulo), Santana do Livramento/RS. Estágio em carvalho francês por 12 meses. Garrafa de nº 62 de 6.000 vasilhames, produção minúscula e atípica diante a dimensão da Almadén. Na taça apresenta cor vermelho rubi escuro, retinto, de textura profunda, reduzido, lágrima e arcos licorosos. No nariz é flagrante, apresenta cassis, tabaco, alcaçuz, verniz, frutas negras confeitadas, perfil denso e alcoólico (14 º). Na boca cresce, o álcool volátil diminui a intensidade, nota-se camadas de cheesecake amanteigada de frutas do bosque, licor de cassis, bacon e melado, taninos domados, acidez protocolar. Vinho para escoltar carnes grelhadas. Sozinho é cansativo, perfil de virilidade, com forte participação do carvalho que “tatua” notas de baunilha em seu DNA no limítrofe do aceitável. Ainda jovem, estará melhor integrado com +3 a 5 anos. Um Tannat barricado de contundente tipicidade, sugestivo evidenciar com maior transparência a  personalidade do velho vinhedo da fronteira gaúcha, minimizando o efeito da madeira. Custa no limite de R$100, uma exclusividade tratando-se de uma produção minúscula diante o gigantismo da Almadén.


AVALIAÇÃO:

3 saca rolha

PREMISSAS:

P2|R4|E3

VALORIZAÇÃO:

VASILHAME3

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