Rolha escala Richter

Mar/16.

“Algo a que não se pode denominar” definição de Innominabile o renomado rótulo da Villaggio Grando e também a aventura que foi o Sábado de Páscoa para desarrolhar as duas garrafas, o Lote II e III. Pela primeira vez me vi lamentando não possuir o abridor de rolhas de formato pinça; próprio para cortiça danificada e esfarelando. No Lote II sobrou 90% de farelo – terremoto de escala de 7,5 na escala Richter. No lote III partiu-se ao meio – escala de 5,7. Toda a paciência e engenharia duraram 45 minutos, valeu a pena, apesar de fragmentos boiando no gargalo porém a partir da segunda taça o vinho estava em boas condições. A qualidade da rolha é mediana para um vinho que vislumbra longa guarda.

A vinícola Villagio Grando é um projeto ambicioso e muito caprichoso. No site do produtor é possível conhecê-l0  http://www.villaggiogrando.com.br/historia. Encontrei estas garrafas em datas próximas e a abordagem que recebi  em ambas foi de que se tratava do estilo Bordeaux no Brasil. Não sei de onde partiu a ideia desta recomendação mas convenhamos que é no mínimo jocoso. O vinho conta com 6 a 7 uvas, não é safrado, seria muito mais oportuno compará-lo ao Caballo Loco (com boa vontade). Talvez seja pelo enólogo francês – Jean Pierre Rosier formado na universidade de enologia de Bordeaux. Fato, é de que comercialmente criar um “link” com uma ideia fixa e já difundida de que é bom, é confiável, o produto obtenha maior persuasão ao comprador. Pode ser, mas é imaturo.

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Os vinhos da Villaggio Grando são produzidos em Campos de Herciliópolis, Água Doce em Santa Catatina, a 1.3oo metros acima do nível do mar, o top da casa tem produção entre 12.000 e 15.000 garrafas/ano.

a) INNOMINABILE Lote II. (à esquerda na foto)  Composição de 5 uvas: Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Merlot, Malbec e Pinot Noir das safras 2005 e 2006. Matura em carvalho francês por 6 meses. Diferentemente da rolha deteriorada o líquido estava bem conservado e adequado. Com 10 anos de vida demorou para mostrar aromas, fechado e introspectivo. Não utilizei decanter o que recomendo fortemente para este vinho. Após 40 minutos começou a manifestar aromas de lápis, raspa queimada de panela de ferro, terroso. A cor é escura partindo para um vermelho coagulado com bordas alaranjando. Denota ser sério e formal. Na boca o álcool de 14º já está bem integrado mas grando2torna-se perceptível entremeado esquentando as papilas. Nenhum sinal de fruta, mesmo que confitada. Cravo, louro, nozes, lembra fermentação de panettone em um conjunto meio-seco (taninos) e com leve cozimento. Acidez enfraquecida torna o vinho um pouco cansativo. Consenso de que já passou o apogeu, está em declínio. Persistência moderada para menos.  Não tem toda a estrutura  de que se prega comercialmente, inclusive o rótulo passa uma imagem de aristocracia em um conceito vintage que no copo diverge. Vinho bom? Sim é bom; mas nesta faixa de preço e conceito, por exemplo, os Maximo Boschi tem menos pompa e mais consistência. Não tenho dúvidas que este vinho consumido 3 a 4 anos após o envase esteja em pleno corpo e mente. O preço de mercado está na faixa de R$90, quando adquiri estava em R$70.


AVALIAÇÃO:

3 saca rolha

PREMISSAS:

P2|R4|E5


b) INNOMINABILE Lote III. (à direita na foto). Composição de 6 uvas: Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Merlot, Malbec, Pinot Noir e Petit Verdot das safras de 2004 a 2007. Matura em carvalho francês por 6 meses. Diferencial em relação ao II é a inclusão da safra 2004 e 2007 + Petit Verdot. A cor é também escura partindo para um vermelho coagulado com bordas em violáceo, menos alaranjado. Muito similar no tempo para abrir os aromas, álcool um pouco menor 13,8º. Aromas na mesma linha acrescido de uma fruta mais viva, porém coadjuvante. Persistência levemente superior. Predomínio da característica citada no  lote anterior – Cravo, grando3louro, nozes, lembra fermentação de panettone em um conjunto meio-seco (taninos) e com leve cozimento. Diferente, notas de cocada preta. Acidez com maior presença colaborou para uma taça mais fluída, esta garrafa acabou primeiramente. Vinho bom? Sim é bom e melhor que o Lote II. São irmãos verdadeiros mesmo pai e mãe, ligeiro destaque para o conjunto mais equilibrado entre potencia e elegância. Está em melhor forma, no limítrofe do apogeu. Não suporta longa guarda, um a dois anos e começarão as dores lombares. O preço de mercado está na faixa de R$90, quando adquiri estava em R$70.


AVALIAÇÃO:

3 saca rolha

PREMISSAS:

P2|R4|E5

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