Safras

Perspectiva das safras no Rio Grande do Sul, compilado por Tchêrroir.

Somente é possível elaborar vinhos de qualidade a partir de uvas maduras e de boa sanidade, isto é, sem podridões. Quando os verões são mais secos e de pouca precipitação pluviométrica consegue-se alcançar uvas com um grau de maturação ideal – que apresentam maiores teores de açúcares, acidez equilibrada e bastante pigmentação na casca.

O ciclo vegetativo da parreira requer estações bem definidas, com frio, chuva, luz e calor. Tudo vindo na hora certa. Frio é benéfico no inverno para que a planta repouse; chuvas na medida certa são bem-vindas até a época da floração, na Primavera; e muita luz e certo calor na fase de maturação das uvas, que se desenvolvem durante o verão e início do Outono, até a colheita. Quando isto ocorre a felicidade reina, e todos conseguem produzir bons vinhos. Até os menos capacitados.

Em época de clima desfavorável é que se conhece o bom produtor, o estudioso daquele “terroir“. Vontade e persistência para, aliando talento e conhecimento, conseguir produzir um bom vinho. Isto passa invariavelmente pelo controle da quantidade de cachos produzidos por parreira, e pela triagem e seleção das uvas colhidas, eliminando as não sadias e imaturas.

A qualidade dos vinhos que serão elaborados nas Caves resulta de uma delicada sintonia entre todas as características da matéria-prima colhida – Grau Babo (índice de açúcar), acidez, aroma (principalmente no caso dos brancos), tanino e polifenóis (especialmente nos tintos). Os polifenóis são os compostos orgânicos que conferem ao vinho as características de cor, corpo e longevidade.

LEGENDA:
(A+) Safra Vintage, reconhecimento unânime de crítica e produtores. Alto potencial de guarda.
(A)  Safra Excepcional, tecnicamente perfeita, qualidade em patamar superior. Potencial de guarda.
(A-) Safra Ótima, qualidade em patamar superior com observações.
(B+) Safra Boa, com destaques pontuais entre os produtores.
(B)  Safra Boa, com resultado homogêneo entre os produtores.
(B-) Safra Difícil, poucas exceções. Garimpar.
(C)  Evitar.

Ano Classificação
2014 B-
2013 A-
2012 A+
2011 A-
2010 B-
2009 B
2008 A
2007 B
2006 B+
2005 A+
2004 A
2003 C
2002 A
2001 C
2000 A
1999 A+
1991 A+

SAFRAS
1991(A+) A 1ª grande safra. Uma combinação inédita de amplitude térmica e baixíssimo índice pluviométrico. Desperta paixão entre os produtores mais tradicionais por ser a safra mais purista as tradições, sem influência da globalização e modernismos na vinificação.

1999(A+) Conhecida como a “Safra da Virada”, o La Ninã ajudou na excepcional maturação, altíssimo índice de polifenóis. Enorme reconhecimento da crítica nacional.

2000(A)Safra da afirmação. Após o enorme sucesso de 99 o La Niña retornou com menor protagonismo. Uma safra tecnicamente impecável, todas as fases da videira com clima adequado. Vinhos de ótimo custo x benefício.

2001(C) Chuva em Março ocasionou uma quebra na colheita e diluição da vinificação. Uvas para espumante de maturação precoce sofreram com falta de insolação em Janeiro. Resultados abaixo da crítica após grande destaque.

2002(A) Safra excelente. Janeiro a Março com destaque para insolação correta para a maturação de uvas tardias. Tintos de excelente cor, estruturados. Vários produtores apostaram em produtos premium.

2003(C) Safra a ser esquecida, muita chuva no verão impedindo a maturação,  colheita muito prejudicada. Péssimo resultado em todas as vinícolas.

2004(A) Elevada qualidade na extração de cor e vivacidade nesta safra clássica. Temperatura amena, com estações bem definidas. Tintos potentes.Grande efervescência no lançamento de vinhos premium.

2005(A+) Safra Ícone.Forte estiagem e excepcional amplitude térmica. Tintos célebres. Safra para beber ao estilo velho mundo com 10 a 15 anos.Cortes e Varietais como C.Sauvignon, Merlot, C.Franc, Ancellotta e Tannat em estado da arte. Garrafas desta safra são colecionáveis.

2006(B+) Difícil suceder 2005. Safra com estiagem de Novembro a Março. Vários produtores sofreram com o fenômeno de podridão da uva madura. Alguns poucos tiveram êxito na antecipação da colheita, para estes a safra foi de consistente resultado. Bons achados.

2007(B) Safra aceitável para espumantes, brancos e Merlot. Grande maioria dos tintos com qualidade comprometida devido a baixa insolação nos meses que antecederam a colheita. Raríssimas exceções.

2008(A) Safra tecnicamente perfeita! O inverno de 2007 com geadas intensas gerou apreensão, mas a brotação e floração ocorreram perfeitamente. Estiagem na medida certa de Janeiro a Março proporcionou excelente maturação das uvas. Amplitude térmica e grande quantidade de horas de sol abrilhantaram esta safra. Os produtores capricharam nos vinhos firmes e estruturados. Não tem a longevidade de 2005. Preços interessantes e ótimos rótulos.

2009(B) Boa na Campanha, difícil na Serra. Resultado comprometido na Serra Gaúcha devido as chuvas acima do histórico na época da floração e maturação, queda no rendimento. Poucos produtores conseguiram a estratégia correta para vinificar bons vinhos. Exceção aos espumantes premium que atingiram bom potencial. Fantástica no Planalto Superior, vinhedos em Vacaria. Excelente nas terras de Bagé e Uruguaiana.

2010(B-) Grande divisão de opiniões. Pequenos produtores que dedicaram forte presença no vinhedo conseguiram resultados satisfatórios. Os grandes tiveram que apostar em ajustes tecnológicos para compensar a matéria prima irregular. Safra descentralizada com diversos microclimas. Bons achados, principalmente criações de enólogos com forte identidade com o “terroir” gaúcho.

2011(A-) Safra de excelentes espumantes, uvas precoces tiveram ótimo equilíbrio de acidez e estrutura. Tintos com ótimo frescor mas sem longevidade. Boa safra para custo x benefício. Bons achados de nível superior.

2012(A+) Alto grau de maturação em todas as variedades de uvas e regiões produtoras, sanidade perfeita. Difícil errar nesta safra. Ano para os melhores enólogos e artesãos brilharem. Tintos e espumantes premium com vocação para a guarda.Campanha Gaúcha no nível de perfeição e Serra com qualidade média muito consistente. Preços mais altos.

2013(A-) As uvas brancas brilharam. Espumantes são protagonistas. Poucos tintos para guarda longa. Houveram poucos traços comuns as regiões, destaque para a Primavera atipicamente quente que favoreceu as brancas na floração. Novembro a Janeiro a precipitação foi menor que o histórico o que garantiu excelente aspecto fitossanitários. A colheita pode ser planejada com grande aderência a maturação certa dos varietais. Apesar de ser uma ano de menor produção em relação a 2012, a qualidade média é excelente, destaque para Serra do Sudeste nos tintos e brancos na Campanha, um fato atípico. Vale dos Vinhedos e Pinto Bandeira espumantes de entrada e top com grande destaque. De forma geral, preços mais altos e ótimos rótulos.

2014(B-) Inverno rigoroso, granizo em diversas regiões, perdas fortes. Este clima retardou a dormência das videiras e faltou maturação. Poucos produtores conseguiram proteger os cachos, a quantidade é 40% a 60% menor comparado a 2013. Muita apreensão na cadeia produtiva pois o amadurecimento foi extremamente irregular no vinhedo, cachos de uma mesma planta com bagos verdes, maduros e desidratados. A seleção manual foi massivamente utilizada para diminuir as perdas, porém para a seleção do menos pior. Serra do Sudeste e Campanha conseguiram algumas pontualidades, entretanto as grandes altitudes sofreram impiedosamente para o granizo. Quase uma safra para evitar.