Tapanade Miolo

Ago/16.

Em setembro de 2014 foi publicado na mídia o resultado do painel vertical das safras até então produzidas do Miolo Terroir: 2004/2005/2008/2009/2011/2012. A vinícola produz este rótulo apenas em anos considerados excepcionais. O painel conduzido pelo caderno Paladar do Estadão® elegeu o exemplar da célebre safra 2005 como o melhor, uma vitória tão esperada quanto Usain Bolt nas pistas. A Miolo produz o super ícone Sesmarias um corte ambicioso de 6 uvas, bastante caro (senão o mais caro vinho produzido no Brasil, superior a R$400) e de raras edições. Logo atrás dois rótulos premium de estilos opostos e mais acessíveis, o Lote 43 (um clássico da vitivinicultura nacional) de estilo predominantemente conservador (Merlot e Cabernet Sauvignon) e o Terroir, mais moderno (exclusivamente Merlot). Em certo momento dos anos 2000, uma decisão colegiada dentre os produtores influenciadores, órgãos de apoio ao vinho e publicitários do segmento, vingaram a ideia comercial de posicionar a Merlot como a uva do Brasil. Exemplo do que ocorre com a Carmenére no Chile, Malbec na Argentina, Tannat no Uruguai, Shiraz na Austrália, apenas para pontuar similaridades com países do Novo Mundo. Um grande esforço de marketing foi investido na Merlot e vários produtores tiveram que mergulhar nos seus vinhedos atrás de um exemplar que melhor os representassem. A Miolo elegeu o Terroir em sua primeira safra em 2004 e a mais recente a de 2012. Em 2013 e 2014 não houve condições para a excelência neste vinhedo.

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MIOLO TERROIR 2009. Vale dos Vinhedos/RS. 100% Merlot. Estágio de 12 meses em carvalho francês. Apesar de limitada, a quantidade produzida é grande (95.000 garrafas) se comparado a produtores de pequeno e médio porte. Diante a uma produção anual de mais de 12 milhões de garrafas entendo que sim é uma tiragem limitada observado o gigantismo do universo Miolo. Esta garrafa bastante pesada, com o vidro de maior espessura e mais escuro é de nº 1.556. Na taça apresenta vermelho escuro com centro rubi e bordas em argila vermelha. Untuoso, adere com facilidade na taça, lágrimas pequenas e lentas. Olfato primário do carvalho, os 14º de álcool se desprendem com facilidade e lembra repelente de insetos, pimenta do reino e mentolado. No paladar apresenta mais conforto do que no olfato mas não deixa de imprimir uma pegada calórica. Taninos suavizados com os 7 anos em garrafa o que não significa de que estão inertes, pelo contrário. Azeitona chilena em abundância é protagonista, quase um Tapanade, cassis e suave café completam o conjunto com predominância do amargor. Corpo médio para cheio, músculos magros que pedem força contrária proporcional. Harmonizamos com frango e bacon grelhados lentamente no braseiro, onde 2+2=3, o Terroir engoliu o prato que apesar do componente defumado do bacon não acompanhou a força deste Merlot. Bom exemplar para testar com barbecue. Este safra 2009 não vai evoluir mais, usufrua agora. O perfil alcoólico não agradou ao sensorial, perdeu pontos. Custa na faixa de R$120, posicionamento que oportuniza ao consumidor outras escolhas mais acertadas.


AVALIAÇÃO:

2 saca rolha

PREMISSAS:

P3|R3|E2

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