Touriga Regional

Nov/16.

Idos anos 2000. Em 2005, Flores da Cunha, Serra Gaúcha/RS a vinícola Valdemiz Vinhos Finos produzia um Touriga Nacional atualmente descontinuado de seu portfólio. A história do produtor é reproduzido desta forma: Em 15 de janeiro de 1884, Pietro Mioranza chega ao Brasil, mais precisamente na colônia de Caxias, onde lhe destinam o lote numero 13 do Travessão Alfredo Chaves. Pietro é um dos primeiros a chegar ao local, que batiza como Nova Veneza. Do Valle del Mis, Pietro trouxera algumas mudas de videiras, a semente da tradição vinícola transplantada na América. Em pouco tempo ele se torna o maior produtor de vinhos de Nova Veneza. Em 1972, Valdecir Mioranza, seu bisneto, juntamente com seis amigos fundou a Vinhos Monte Reale. Em 1993, Valdecir assumiu o controle acionário da vinícola e a partir desta data iniciaram os investimentos em tecnologia, afim de produzir vinhos de alta qualidade. Em 1999 iniciou-se a reforma e reestruturação da Vinhos Monte Reale, pensando no vinho fino, gastronomia e enoturismo. Criou-se então a marca de vinhos finos Valdemiz. A primeira safra foi elaborada em 2000 e o lançamento em 2002 simultaneamente ao empreendimento já reformado. A partir desta data a linha de produtos conta com os vinhos finos Valdemiz e com os vinhos de mesa e sucos Monte Reale.Do conhecimento e dedicação legados pela família, Valdecir Mioranza preserva a tradição de mais de sete séculos, da qual resultaram os vinhos de alta qualidade e excelência das marcas Valdemiz e Monte Reale. Não lembro onde adquiri este vinho, mas o adquiri em 2011, ficou na adega desde então sob o pretexto de qualquer vinho oriundo da safra 2005 no RS é imortal!

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VALDEMIZ RESERVA TOURIGA NACIONAL 2005. Safra onde o Rio Grande do Sul foi tratado como Oasis do Baco, absolutamente tudo deu certo. Desarrolhar vinhos desta safra após 10 e mais anos tem sido um “fetiche” para apreciadores. Este inédito Touriga da casa estagiou 9 meses em carvalho francês. Apenas 6.600 garrafas foram produzidas. A rolha aguentou firme apesar de categoria intermediária de qualidade, manteve-se cumpridora de sua obrigação. O vinho ficou na vertical por um dia inteiro, intuito dos depósitos irem para o fundo. Na taça a cor é vermelho escuro em bordô envelhecido, a tonalidade da clássica camisa do Barcelona F.C da Era Romário e Stoichkov que eu tinha e foi escurecendo, época em que não existia a criatividade de nominar ataques com s.i.g.l.a.s. No visual detecta-se depósitos que turvam o vinho, inevitável opaco. As lágrimas surgem em meio a suspensão, pequenas e espaçadas. Textura leitosa. Olfato impregnado de história como uma valise de couro que guarda ferramentas de carpintaria oxidadas. Lindo ver que o vinho assume sua velhice e lhe pede calma, ainda há descoberta. Especiarias desidratadas e fechadas na gaveta úmida, certa cânfora, apetitoso nos aromas. No paladar a textura é levemente granulada o que gera certa adaptação inicial. Macio, noz moscada em abundância, sálvia, pimenta do reino, acidez sobrevivente. Fechar os olhos e aguçar os sentidos, o vinho cresce. Orgulhosamente velho, um gosto de cigarro palheiro de queima úmida, lembra meu Avó na lida, na chuva, aquele pito que todo Piá se aventura à dar, não se esquece. Vinho de corpo magro, longe do apogeu, na rota do declínio terminal, mas caminhando, já lentamente de cabeça em pé. Retribuí com atenção, com respeito. Touriga regional de Flores da Cunha, aguentando firme os 11 anos. Deixa um final de boca de boa persistência, ressalta o leve alcatrão e a “ferrugem” do vinho. Esteticamente o líquido está comprometido desde a primeira taça, tornando-se cada vez mais turvo perto do final. Valeu a pena, puro aprendizado, simplicidade de um vinho varietal atípico para a época, custava menos de R$35. Difícil enquadrá-lo, carece de adornos, é simples, cresce pela autenticidade.

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AVALIAÇÃO:

3 saca rolha

PREMISSAS:

P1|R4|E3

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