Um Estranho no ninho

Ago/16.

O guia ilustrado Zahar® descreve em seu livro Jean-Luc Colombo como revolucionário do Rhône. O enólogo consultor nascido em Marseille virou de pernas para o ar o mundo da vinicultura do Rhône. Ao chegar na prosaica e tradicionalista Cornas, em 1984, para organizar o Centre Oenologique, bastou o fato de ser um forasteiro para que começasse o disse-me-disse. Desde então, sua preferência por técnicas modernas de vinicultura só causou mais controvérsia. O uso de leveduras cultivadas, desengaço, fermentação rápida com período de maceração longo e envelhecimento em barris de carvalho novo está de longe do que é tradicional por lá. Colombo engarrafa vinhos de seu Domaine em Cornas em garrafas de Bordeaux e não no formato tradicional das garrafas de Borgonha… Hoje, sua influência poder ser sentida claramente na tendência a uma vinicultura mais controlada e vinhos de estilo mais acessível. Seus detratores lamentam a troca de estilo regional por técnicas modernas. Em 2010, Ed Motta, em seu (extinto) canal para o portal UOL® teceu elogios a Jean-Luc, reproduzo aqui: “Colombo é um modernista mas absolutamente lúcido no que se diz respeito a produzir o sublime, o melhor. Num dos melhores livros sobre vinhos do Rhône do inglês Remington Norman “Rhone Renaissance” Colombo me surpreende com uma atitude bastante rara na feroz competitividade do mundo dos vinhos. Ele fala de suas referências, suas influências aonde quer chegar com seus vinhos, e cita Guigal, Chave e Jaboulet como gurus estéticos de seu modernismo que reverencia o passado com maestria.” O principal destaque do portfólio de Colombo, que iniciou comercialmente em 1987, são os Cornas, principalmente o “Les Ruchets” por sua fama de um dos mais longevos Syrah do mundo. Atualmente a filha de Colombo, Laure, atua também como enóloga da casa e influencia fortemente o estilo dos vinhos.

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JEAN-LUC COLOMBO LES LAUVES 2010. Denominação Saint-Joseph, norte do Rhône. 100% Syrah de vinhedos de mais de 60 anos em solo granítico de encostas escarpadas. Estágio de 12 meses em barricas francesas sendo 1/3 novas. Na taça apresenta cor vermelho escuro com bordas em granada, impenetrável, envernizado no brilho. Destaque para numerosas pernas que se desprendem finas e delicadas. Olfato herbáceo, lenhoso, armário em madeira crua, alcatrão, álcool ligeiramente volátil. Paladar amadeirado, químico (pintura a óleo), pimenta do reino fortemente presente, ervas de Provence desidratadas, um final tímido de uva passa envelhecida. Corpo médio para cheio, seco, “amarguinho”, acidez diminuta, os 13º de álcool aparentam mais no olfato do que na boca,  persistência acanhada que cresce com a oxigenação. O conjunto é agradável, nota-se personalidade e tipicidade, entretanto distante de surpreender ou diferenciar-se, pelo menos neste exemplar de entrada. Custa na faixa de R$200, a importadora exclusiva no Brasil é a Decanter®. Sensação de que por este valor vale apostar em outras opções francesas do Rhône e para compreender o J-L Colombo deva-se focar nos rótulos mais caros da casa, que de fato, deva entregar a fama que o precede.

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AVALIAÇÃO:

2 saca rolha

PREMISSAS:

P3|R4|E2

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