Viés de Gamay

Ago/17.

Pinot Noir da série Ensaios Experimentais do Atelier Tormentas, a trajetória inquieta de Marco Danielle na busca novas fronteiras, vinhedos, nuances possíveis e impossíveis de manufatura com as castas que dão vida a suas micro vinificações intuitivas. Nota do vinhateiro: “Campos de Cima da Serra é uma região de frio e altitude, premissas importantes para a amplitude térmica tão necessária ao refinamento e  à gênese dos aromas. Vemos nesse vinhedo uma vocação para vinhos perfumados, de cor intensa e boa estrutura fenólica – característica comum à região de Campos de Cima da Serra. O que mais me intriga neste Monte Alegre dos Campos Pinot Noir 2013 é a vibrante matiz violácea, em contraponto ao vermelho atijolado que meus demais vinhos de Pinot Noir apresentam desde cedo, independentemente do vinhedo ou região. Em que pese que a cor foi preservada da oxidação nesse vinho, através de uma fermentação semi-carbônica em regime 100% hermético (sem qualquer exposição ao oxigênio), também a paleta aromática foge radicalmente da natureza dos meus outros pinots. Não fosse o fato de ter manuseado as uvas, que se apresentavam sob a forma de pequenas pinhas de minúsculas bagas compactas – absolutamente Pinot Noir – diria tratar-se de um Gamay, analisando a cor e a  paleta aromática. Um vinho alegre e frutado graças à vinificação semi-carbônica hermética, mas que espero possa revelar um pouco mais da tipicidade da casta e desenvolver uma maior complexidade ao longo dos próximos meses de estágio em barricas.”.

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ATELIER TORMENTAS MONTE ALEGRE DOS CAMPOS 2013. Campos de Cima da Serra (Campos de Vacaria – divisa de 1.000 metros de altitude com Santa Catarina)/RS. Produção de apenas 664 vasilhames (de excelente acabamento e robustez) deste 100% Pinot Noir com 12 meses de estagio em barricas francesas e americanas. SO2 total após engarrafamento: 42 mg/L. Vinho fermentado com leveduras selvagens. Fotografia autoral que ilustra o rótulo – Caxias do Sul, 1991. Nota do vinhateiro: “Bagas retiradas manualmente dos cachos e fermentadas inteiras, sob regime de fermentação semi-carbônica em tanque hermético sem remontagem. A única agitação da massa fermentária ocorreu por conta da canalização de CO2 exógeno proveniente de outros tanques. Temos aqui um método mais semelhante à fermentação semi-carbônica do Beaujolais do que da Borgonha, propriamente dita.” Na taça apresenta cor vermelho água de fervura do pinhão, absolutamente cativante ao imaginar oxidado aos olhos. Textura lisa, delicada, principalmente nas bordas atijoladas, formação de arcos alinhados com lágrimas longas e de média intensidade. A aeração no decantar e descanso de 40 minutos, despertaram aromas de fruta vermelha parcialmente tomada com mofo cinzento, parte fresco, parte com leve apodrecimento ao estilo blue cheese. Cravo, canela e esmalte de unhas. No paladar uma tenra mordida em cerejas chilenas da estação, pinhão cozido (de novo), especiarias doces, leve tostado, tomates da horta, secos com orégano. Os 12,95 º de álcool são perceptíveis durante as primeiras taças e logo ameniza tornando-se perigosamente discreto, bebe-se sem moderação. De fato um Pinot Noir sutil, acidez deliciosa, médio corpo, menos insigne intelectual e mais amado plebeu. Pronto ao consumo, gastronômico, prazeroso desacompanhado, com mais alguns 5 anos no apogeu. Exemplar adquirido “En Primeur” atitude comercial cortes e de longo sucesso do Atelier, desconto na compra antecipada para quem acompanha atentamente o movimento do vinhateiro. Na época custou na faixa limítrofe de R$100, uma barganha. Esgotado, o preço final fixado em R$ 190,00 após primeiras impressões do mercado.


AVALIAÇÃO:

5 saca rolha

PREMISSAS:

P2|R5|E3

VALORIZAÇÃO:

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