Vinho da Bruxa

Dez/16.

Selo Orgânico! Há um bom tempo estava flertando com este produtor de Picada Café/RS. Encontrei-o despretensiosamente em uma feira de Pequenos produtores e manufatura familiar ao lado do Mercado Público de Porto Alegre. Assim o descreve Rogério Dardeau em seu obrigatório livro Vinho Fino Brasileiro: “Grupo de produtores orgânicos da Serra Gaúcha. No caso de uva e vinho, são duas famílias de Ipê, também da Serra, com origem italiana (Pauletti), que cuidam dos vinhedos. A vinificação fica por conta da família de origem alemã Fritsch. Seus vinhos, um Cabernet Sauvignon e Moscato, destacam-se pela estrutura, complexidade e presença de boca. No dizer dos produtores: “Gostaríamos de ressaltar aqui que nossa preocupação não é só com dinheiro, mas também em espalhar um estilo de vida mais saudável”. Os vinhos são rotulados como Hex Von Wein (“vinho da bruxa”). Esse grupo passa por um processo de redefinição dos meios de comercialização, havendo incerteza também sobre a continuidade da elaboração comercial dos vinhos. Sem dúvida, será uma pena perder o estilo Hex”. Os vinhos são comercializados pela Coopernatural e podem ser encontrados em pontos de venda com apelo natural e orgânico.

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HEX VON WEIN CABERNET SAUVIGNON 2014. Rótulo em braile. Produzido em Picada Café/RS no caminho da Rota Romântica na Serra Gaúcha. O vinho foi lançado na safra de 2007. O vinho é envelhecido em barricas de carvalho francês, não obtive sucesso em precisar o tempo, mas apostaria ser rápida a passagem, menos de 4 meses. Selo Orgânico, que assim é descrito na página do produtor no Facebook. “O alimento orgânico é muito mais que um produto sem agrotóxicos. É o resultado de um sistema de produção agrícola que busca manejar, de forma equilibrada, o solo e demais recursos naturais (água, vegetais, animais, insetos) conservando-os a longo prazo e mantendo a harmonia desses elementos entre si e com os seres humanos. Desse modo, para se obter um alimento verdadeiramente orgânico, é necessário administrar conhecimentos de diversas ciências, através de um trabalho harmonizado com a natureza e com todo o ecossistema”. Na taça o “vinho da bruxa” apresenta cor vermelho rubi de média transparência, fluído, pouco brilho e com baixa aderência a taça, pernas ligeiras e espaçadas. Aromas de horta de temperos frescos, que você passa as mãos levemente sem colher ou quebra-los e fica com aquele aroma herbáceo misturado com o perfume de cada erva. Tem uma leve fragrância amadeirada. Na boca o seu melhor momento, limpo, ácido, cravo e canela, figos bem maduros, bem azedinho, taninos discretíssimos, é ligeiro na intensidade e persistência mas compensa com primoroso drinkability. Bebe-se de litros. É um vinho que facilmente encaixaria ao estilo de um litrão Cacique Maravilha que está atualmente em evidência comercial. O final de boca é idêntico ao Chiclets Minis® dos Anos 80, uma delícia pueril e natureba. Os 12,5º de álcool são pólen para as abelhas jovens, uma delícia. Custou na feira R$40, vale cada centavo. É um vinho que por incrível que pareça, tem talento as cegas, para ser avaliado como “certo refinamento”, é um ótimo elemento surpresa para quebrar preconceitos.


AVALIAÇÃO:

3 saca rolha

PREMISSAS:

P1|R5|E4

VALORIZAÇÃO:

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