Vinho Lunar

Out/17.

Meu querido sobrinho e namorada retornaram de férias do Deserto do Atacama com um carinhoso presente na mala, o vinho Ayllu produzido em condições de clima extremo. O maior complexo astronômico do mundo está localizado nesta região devido a imaculada condição atmosférica que intriga cientistas da NASA devido a similaridades com aspectos de solo lunar; e agora, intrigam também o mundo do vinho. Ayllu, significa na língua Aimara, “comunidade familiar”. Um grupo de moradores locais com ajuda do governo – Programa Atacama Tierra Fértil, convergiram para a produção de vinhos, uma alternativa na diversificação econômica da região tão dependente do trabalho pesado nas minas de lítio e do turismo. A referencia técnica para implantação dos vinhedos foram melhores práticas observadas na região de Israel, estudando as técnicas praticadas em solos muito áridos e com forte escassez de água. O desenvolvimento do vinhedo no Atacama só foi possível com a irrigação com gotejamento induzido de 6 a 8 vezes ao dia no pé da planta, adicionando fertilizantes, o que possibilita a raiz absorver a água e nutrientes rapidamente antes que evapore ou seja facilmente drenada em função da grande porosidade do solo arenoso. O abastecimento de água é feito com caminhões pipa, acondicionado em reservatórios e posteriormente bombeada através de energia captado em painéis solares. É uma operação de quase socorro ao vinhedo, o pico de calor ultrapassa os 45º. Na altitude de 2. 400 m.s.n.m os vinhedos são livres de qualquer defensivo, nenhuma praga sobrevive ao clima extremo. As castas que se desenvolveram são: País (uva chilena), Merlot, Pinot Grigio, Syrah e Petit Verdot. Cada “família” ou “produtor”, são aproximadamente 40, escolhem e selecionam os varietais para o seu vinhedo, produzindo seus vinhos de forma individualizada porém com o mesmo nome Ayllu. No contra rotulo especifica-se o corte, o vinhedo, o ano, o produtor. A grande pergunta do vinho produzido no Atacama é como suavizar a grande salinidade do solo que invariavelmente o vinhedo absorve.

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AYLLU 2014. Produtor Ricardo Solín. Corte de País e Syrah, sem passagem por madeira. Na taça apresenta vermelho púrpura com bordas em leve castanho, textura “leitoso” rústico, médio brilho. Lágrimas numerosas e forte aderência a taça, viscosidade intensa. Nariz cozido impressiona no primeiro ataque. Aromas vegetais, eucalipto e vinho do porto ruby. No paladar imagine um Bonarda com 2 ou 3 pitadas de sal iodado! Que loucura. Não desce o segundo gole, parece que seu cérebro trava imaginando um sal de frutas mas é vinho. Embaralha completamente o sensorial, terminamos por aqui, muito salgado. Aproveita-se em uma excelente marinada sem necessidade de corrigir o sal durante o preparo. Não busquei referencia do preço na internet. Importante reforçar que alguns vinhos finos (majoritariamente brancos) tem certo salgado que pode ser virtude se o limítrofe é o discreto, a “pitada”, o segundo plano como leve salinidade. A graduação alcoólica não é informada no contra rótulo.


AVALIAÇÃO:

1 saca rolha

PREMISSAS:

P0| R1|E1

(P0) = presente.

VALORIZAÇÃO:

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