Vino sotto terra

Out/17.

Em Fevereiro de 2017 a família Dal Pizzol resgatou um hábito ritualizado pelo avô Giovani Batista, primogênito do imigrante Martino, o de guardar sob a terra algumas garrafas de vinho em safras excepcionais. Remontando a tradição, a sexta geração no Brasil enterrou a uma profundidade de 1 metro dentro de um barril de carvalho 85 garrafas de vinhos que permanecerão intocáveis até 2022. O ritual denomina-se “Vino sotto terra”. A seleção está composta por 25 garrafas do VINUMMUNDI  de cinco colheitas (2012, 2013, 2014, 2015 e 2016) e mais 60 garrafas, entre elas 20 de Cabernet Franc, 20 de Merlot e 20 de Enoteca Dal Pizzol. Em 2022, serão retiradas cinco garrafas do VINUMMUNDI da Colheita 2012, que serão entregues ao atual governador do Rio Grande do Sul, José Ivo Sartori, e também ao hoje prefeito de Bento Gonçalves, Guilherme Pasin. Também será sorteada entre os participantes do almoço da Colheita Simbólica do Vinhedo do Mundo daquele ano. A partir de então, a cada três anos serão retiradas algumas garrafas, a critério dos gestores, cuja destinação será feita também por eles. “Preservamos histórias, guardamos relíquias. E todo nosso acervo está intimamente ligado à cultura do vinho, respeitando a nossa origem”, destaca Rinaldo Dal Pizzol. O hábito familiar, trazido da Pátria de origem – o Triveneto –, foi seguido sendo praticado pelas primeiras gerações de imigrantes. Já no Brasil, era comum guardar garrafas de vinho branco Peverela, variedade de colheita tardia. Elas ficavam guardadas na casa paterna, na Linha Paulina, em Faria Lemos, uma prática que acontecia sempre entre os meses de maio e junho, no final do outono. A descoberta das garrafas de vinho era efetuada poucos dias antes do Natal, depois de terem repousado todo o inverno sob a terra. Este vinho era objeto de desejo e destaque nas festas de final de ano, que se estendiam até 6 de janeiro nas comemorações da Epifania, da Befana e do Panevin, de origem veneta.

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DAL PIZZOL CABERNET FRANC 2015. Faria Lemos, Bento Gonçalves/RS. Produzidos 25.400 vasilhames. Enólogo Dirceu Scottá. Na ficha técnica disponível no site do produtor a informação de que fora adicionado levedura seca ativa (Saccharomyces Cerevisiae) e açúcar – ou seja, técnica de chaptalização. Fermentou em temperatura controlada de 25 a 28 °C, sofreu remontagens regulares durante o período de maceração (5 dias). O mosto foi submetido a maceração mediana para se obter um bom equilíbrio de paladar, coloração e concentração de aromas. Após realizar a fermentação malolática, maturou por um período de 12 meses em tanques de inox. Passou por estabilização tartárica natural, filtrado e engarrafado. Há quem defenda que o vinho depende essencialmente e unicamente da qualidade das uvas. Porém, quando a colheita não cumpre sua parte ajustes técnicos dentro da cantina são autorizados. A chaptalização é a adição de açúcar (de cana de açucar, beterraba, por exemplo) ao mosto para elevar o grau alcoólico da bebida. Esta “compensação” exógena de açucares é permitido no mundo do vinho fino, porém cada vez mais combatido por apreciadores. No vinho de mesa a chaptalização chega a três vezes mais intensidade que no vinho fino. O “nariz torcido” de quem não aprecia a maquiagem mesmo que bem vindo ao acabamento final. Particularmente defendo que quanto mais natural, melhor, sou um apreciador de café, prefiro mate-lo integro sem ajustá-lo com o açúcar. por exemplo. É uma questão de gosto e também ideologia. Na taça apresenta vermelho rubi com reflexos em leve violeta. Textura lisa, viscosidade ligeira, boa aderência a taça. Aromas de lembram guloseimas de goma, pó de gelatina aromatizado, cheddar, final floral. Na boca leve adstringência inicial, azedinho doce – acidez dócil, violetas, tutti-frutti. Os 13º de álcool bastante suavizado. Feito para agradar nicho transitório ao iniciante, carece de personalidade própria. Custa na faixa R$60, desalinhado com o conteúdo, alinhado com o propósito comercial.


AVALIAÇÃO:

2 saca rolha

PREMISSAS:

P2|R3|E2

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